Lembro-me de ter lhe visto assim, de relance. Você chegou e nada aquele lugar mudou. Nada, exceto a mim. Meu coração disparara e o sorriso no meu rosto era algo inevitável e eu não pude controlar. Foi como se tudo tivesse parado ali. Nada mais se fazia presente aos meus olhos. Como naquele efeito de photoshop em que só o que interessa permanece colorido, ou nítido. Só você existia pra mim...
Então aquela desprezível festinha se tornou, a partir dali, a razão pra muitos dos meus futuros sorrisos, das minhas noites felizes, dos meus sonhos realizados. Tornou-se o principal motivo pra eu me sentir viva.
Por instantes me perdi de você.Talvez os minutos mais longos e cheios de tensão que já pude viver. Sentia-me perdida, confusa, como se parte de mim tivesse evaporado junto daquela fumaça pesada e com cheiro de cigarro barato. Até que avistei, ao longe, uma criança de sorriso lindo, de mãos dadas com aquele cara que seria, desde então, a razão do meu alívio e do meu nervosismo de paixão-nova.
Tomei coragem e fui ao seu encontro. Usei como desculpa meu proposital tropeço seguido de um esbarrão naquele menininho, para então lhe pedir desculpas e começarmos um papo qualquer. Creio que você gostou da forma como o tratei e, por isso, resolveu prolongar o assunto com coisas bobas de quem não tem mais o que fazer e nem intimidade o suficiente para falar de coisas realmente interessantes.
Mas era como se fosse o destino mesmo, esse que sempre conspirou contra mim, que se encumbiu de nos colocar ali, naquela noite, naquela pseudofesta, para nós, que, após as horas de conversas sem pressa e risadas, cheias de cumplicidade, havia se tornado uma das noites mais importantes da nossa vida.
E hoje, cinco anos depois, nos observando assim, cheios de planos pro futuro, com os preparativos pro noivado e a nossa casinha praticamente pronta, é que vejo o quanto meu coração sempre me fora tão verdadeiro. E, naquela noite, através daquelas rápidas, fortes e decididas batidas, me disse que era você, o meu caminho, o meu motivo.
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