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Sobre qualquer coisa.

Hoje pensei em evitar. Assim, evitar qualquer coisa. Qualquer conversa, qualquer, encontro, ligação.
Do tipo desligar o celular e se fechar no quarto como se estivesse fazendo uma daquelas viagens sem volta.
Eu pensei em evitar tudo que eu ainda posso fazer de novo. Os dois novos, eu quero dizer. O novo de novo e o novo de de novo mesmo. Não queria pensar nada, na verdade.
Tenho pensado coisas demais e tudo que é demais deixa de ser o que era pra ser ou deixa de ser o que eu queria.
Eu precisava ter evitado os últimos dias, pensei também.
Podia ter evitado errar tantas questões no vestibular. Quem sabe morando longe daqui eu teria evitado tudo que me tem feito pensar tanto em tudo o que tenho feito.
Mas eu evitaria, também e sem querer, qualquer coisa boba que tenha me feito bem nos últimos anos. E nos últimos dias. Não hoje, porque hoje a única coisa que eu penso é em evitar. Qualquer coisa.

Sobre ciclos e missão (quase) cumprida.

Volta e meia alguém por aí sintetiza fases de nossa vida como ciclos. Normalmente não me atento a essa expressão. Talvez porque nunca tenha me feito sentido. O fato é que dia desses, enquanto voltava pra casa, me senti prestes a fechar um ciclo. Ali, exatamente do modo como ele começou.
O ciclo de que falo é essa tal de faculdade.Que só lembrou felicidade nessa frase aí. Não foi um pingo de felicidade. Foi nervosismo, timidez, amizade, passageiro, paixão, leve amor, sofrimento, insistência, algum aprendizado, muitos conhecidos, contatos, amadurecimento, indecisão. E mais um monte de coisa. Mas não foi felicidade. Também porque foi muita saudade. Foi saudade dos anos anteriores. Saudade dos outros colegas da vida. Saudade de poder fazer as coisas por conta própria e só pra mim. Saudade de não ter que depender de alguém e nem carregar alguém que dependa tanto de mim. E foi vazio. Foi estranho.
O ciclo do qual me referi estar fechando apitou em minha cabeça quando me vi despedindo das pessoas com as quais eu mantive contato no primeiro semestre da faculdade pra depois voltar apé, sozinha, a noite, pra casa. Exatamente como acontecia há três anos e alguns meses. Exatamente. Espero que isso seja um sinal de que minha missão será cumprida. Porque é só isso que eu quero. O resto que se dane.

Sobre sorriso, hoje e sempre.

Há dias em que me olho no espelho e acho apenas defeitos, noutros sorrio e me sinto bem e, naqueles últimos, apenas olho no espelho.
Penso que deve ser assim com todo mundo.
Falo agora sobre os tais dias em que olho no espelho e sorrio. Seja porque compreendo estar feliz e mostro os dentes num movimento natural, seja porque estou gostando dos meus cabelos, olhos ou porque apenas acordei bem.
Mas o mais interessante é que, nessas ocasiões, tem se tornado comum sorrir e, instantaneamente, me lembrar de você. Como se o motivo pra gostar dos meus cabelos, olhos ou sorriso fosse apenas o fato de você existir.
Tem acontecido com frequencia e não sei o que significa.
Enquanto isso, prefiro acreditar que tenho me sentido bem para continuar com você ou que você é que me faz sentir bem ou só que o amor é lindo mesmo.
Hoje, meu sorriso largo e sincero eu dedico a você.
Que, de algum modo, é o motivo de ele existir, sempre.

Sobre viver ou dizer sobre viver


Para mim, as redes sociais servem para você se comunicar com as pessoas, compartilhar coisas boas (música, links, informações e notícias) e, em longo prazo, compartilhar também bons momentos pelos quais já passou.
Então, há muito tempo, e antes de processar esse pensamento que se seguirá nas próximas linhas, houve a notícia de que, além da Sandy se casar, Lucas tuitou no dia da lua-de-mel.
Tá, tudo bem...tudo bem? A pessoa está na lua-de-mel e vai..tuitar? Assim, eu, por exemplo, moro longe do meu namorado e, por mais que às vezes queira checar emails ou olhar atualizações do Facebook enquanto estamos juntos e eu estou realmente feliz, a última coisa que vou fazer é ir ao Twitter e escrever isso.
O mesmo serve para uma viagem ou almoço em família ou um barzinho cheio de amigos e papos ótimos. Registrar o momento com várias fotos, que você sabe que depois vai adorar ver e relembrar, acho superválido, mas ir lá e ficar contando nas redes sociais o quanto estou me divertido DEMAIS, é demais.
Se é um evento que não tem uma transmissão ao vivo ou que alguém que não está junto quer muito ver o que está acontecendo, ok. Agora se você está curtindo a maresia, com estrelas lindas e músicas boas, ou se está completamente in love, ou ainda curtindo um passeio novo e diferente, conversando, bebendo e se divertindo horrores, não penso que seja um bom momento pra você parar de aproveitar pra colocar isso na rede.
Sim, já aconteceu comigo, lembro que uma vez fiz menção de escrever como aqueles momentos da noite anterior e do dia que se seguia estavam divertidíssimos. Quando dei por mim, o momento em que estava pensando em escrever isso, que era só eu morrendo de cólica e um notebook, longe do pessoal (exatamente o oposto do que estava escrevendo), apaguei e não publiquei. Porque né?
Enfim, penso assim.. se está tão bom, divertido, gostoso, o mínimo que você deve fazer é aproveitar em vez de ficar contando como está bom, divertido e gostoso. 

Sobre modernidade, ciúme e volta. Sorridente.

E eu sempre penso em levar aquela vida moderninha. Sempre penso e tento, mesmo, levar a sério. Daí ouço sussurros diferentes, palavras desanuviadas e meu coração começar a palpitar e começo a sambar internamente, tentando driblar a tal. Se pudessem ver, me chamariam pra Seleção Brasileira. Mas daí todas essas outras coisas, referentes àquela outra, também chegam ligeiros em minha cabeça e lembro-me do amor e, enfim, esqueço aquele tal de ciúmes. Pena que ele sempre volta, sorrateiro e sorridente. 

Sobre lágrimas, bolos e cena. De cinema.

Não me lembro ao certo o motivo pelo qual ela me deu aquele bolo supergostoso, grande, de prestigio. Talvez eu tenha reclamado da vontade, talvez eu apenas já estivesse triste e ela queria me agradar de alguma forma. Como quase sempre me agradava.
Sei que estava na faculdade, chorosa e passando por um momento chato desses de coração machucado. Do tipo que o cara te deixa numa semana e noutra está passeando pelo prédio com outra gatinha que, por sinal, já esteve nesse papel com outros dois caras diferentes. Daí minha vontade maior era chorar, sair correndo dali até minha casa e me afoga ar no edredom. Ou no chuveiro.  
Mas aí ela me deu um bolo.
Me deu um bolo e eu estava com fome e ele estava grande e doce e eu abri a embalagem e fui comendo de forma muito feroz, como se o mundo fosse acabar. Não ofereci pra ninguém, nem pra ela que me achou um lugar bom pra eu me afogar. Quando estava terminando, uma terceira pessoa, com uma câmera na mão registrou o momento. No vídeo de poucos segundos dá pra ver meu rosto vermelho e olhos cheios de água, a boca suja de chocolate. Resumiria coração partido nessa cena. Cena de cinema. 

Sobre lavagens, baús e ralos.

Eu não podia ter lavado os lençóis, travesseiros e edredons. Deveria ter guardado num baú. Daqueles grandes e com pinta de importantes e secretos. Abriria a cada vez que me sentisse vazia. Por ali tinha tudo: lágrimas, suor, confissões e amor, aos montes. Agora foi tudo pro ralo. Dizem que com a vida é assim também.
Que o melhor seja guardado comigo, então. 

Sobre trilhas, letras e a gente (mais uma vez).

É curioso pensar em como nosso relacionamento sempre foi cheio de trilhas sonoras e letras que diziam até mais do que vivíamos. O fato de eu lembrar mais de você quando ouço determinados cantores, do que de qualquer outra pessoa, é impressionante. O ímpeto de lhe avisar que Fulano está em tal programa e Ciclano será entrevistado logo mais, é tão impetuoso quanto o modo como tudo entre a gente terminou.
Nas letras mais irritantes, haviam promessas, pedidos e a certeza de que daríamos amor enquanto nos amássemos e quando acabasse, nos deixaríamos. Por acaso do destino e, talvez para se distinguir de todas as outras letras e lógicas que sempre nos sintonizavam, dessa vez foi só com você. Eu ainda comporia um hino e te daria um filho, já que, lhe devo um bocado, se lembrarmos que o seu maior mal me ajudou a diminuir o meu.
A única coisa que me incomoda em nós é a impressão de que ainda não terminou completamente. Não sei se você sente o mesmo, mas não consigo manter um diálogo com você sem tocar em algum assunto do passado ou sem ouvir você relembrar determinado acontecimento que marcou muito a gente. Não me sinto mais à vontade para falar de tudo com você. Nem sobre você. Não consigo nem mesmo inventar aquelas histórias malucas só pra ter desculpa de mandar um email bobo, como pretexto pra, quem sabe um dia, voltarmos a ter todo o contato que um dia tivemos. E que eu adorava.
No mais, continuarei me lembrando de você, comigo, por tempo indeterminado e atualizando, pra você, a agenda de seus cantores favoritos, ok?

Sobre berço, caráter e impressões

Era uma vez um menino que nasceu em berço de ouro. Depois de nascer o berço foi empratecendo, embrozeando até se tornar apenas aço. Nessa época ele já tinha uns 12 anos. Que é quando a verdadeira personalidade de um ser humano começa a tomar suas devidas formas.
Nessa época ele já era alto, mas um pouco gordinho. Sempre teve olhos claros verdes muito bonitos. E sempre achou que tinha mais do que sempre teve.
Seus pais se separaram e ele resolveu, já por conta própria, ir morar com o pai na cidade vizinha, onde acontecia uma festa muito grande por ano, de âmbito nacional. Mesmo que isso ainda fosse pouco praquilo que guardava dentro de si...
Foi crescendo, ficando com algumas menininhas, mas só aquelas mais oferecidas ou as que se encantavam pelo charme que ele exalava e depois transformava em ogrissse, se é que essa palavra existe.
Era perceptível o fato de ninguém ficar muito tempo com ele. Tinhas muitos amigos, mas nenhum verdadeiro. Sempre tinha com quem ir pras festas apenas porque dirigia e tinha lá o seu carrinho, confiança no olhar e boa aparência, o que chamava outras pessoas pra roda. Apenas por isso.
Ninguém parecia gostar das mesmas musicas que ele, suas ideias eram sempre confrontadas e seu pensamento parecia sempre pequeno praquele tamanhão todo que carregava consigo.
Certo dia esse rapaz decidiu que faria determinada faculdade e lá arranjou outros amigos, alguns melhores outros piores que ele, mas todos farinha do mesmo saco. Ninguém de muito boa índole.
Atualmente ele desrespeita seus patrões, colegas de trabalho, apenas sugere querer pegar ou mesmo comer mulheres que sejam perfeitamente simétricas, bundudas e bem maquiadas.
Atualmente é alguém que conheço e, honestamente, não gosto. Não quero nem mesmo saber se essa história aí em cima é verdadeira. Com seu modo de agir é apenas o que vem a minha cabeça.

Sobre (a falta de um) final feliz.

Você sabe os perigos que corre, pois, inclusive, já correu vários deles. 
Você resiste, mas insiste.
Você resiste, mas começa a abrir uma fresta da janela.
Você resiste, mas abre também as portas e convida pra entrar.
Quando entra, lhe toma o controle e você não resiste mais.
Depois rouba seu coração e fim.


Mas não se desespere. Haverá outras e outras e outras vezes. Assim, exatamente.
É um ciclo vicioso. Sem final feliz.

Sobre delicadeza, anjos e querer.

Hoje devo escrever pra você. Não que tenha lhe visto atravessar a avenida ou tenha lido qualquer atualização sua em alguma rede social. Eu apenas me lembrei dos seus gestos delicados, enquanto, num lugar chato com música ruim, você tocou os meus cabelos e me olhou com aquela cara de anjo e aqueles olhos de carinho.
São coisas assim que qualquer ser humano precisa. São coisas assim que curam qualquer coração machucado, qualquer pensamento nebuloso, qualquer falsa esperança.
Naqueles minutos em que, de certa forma, você me tinha em mãos, me senti acolhida, querida e muito segura.
Talvez você seja uma dessas pessoas com nomes de anjo que vem pra cá e escolhem aleatoriamente alguém para cuidar.
Espero não ficar sem suas asas e seus cabelos angelicais por tanto tempo mais.

Sobre a gente

Tenho escrito pouco sobre a gente. Escrevo pouco porque sinto muito.
Tenho sentido muito sua falta, ultimamente. E sinto porque amo, concluo.
Estive depositando minhas palavras, em relação a você,  pra escrever sobre nosso um ano juntos, na verdade. Mas acho que já passou mais, né? Não que isso seja muito importante, mas no nosso próximo encontro lembre-me de abrir a pauta para escolhermos um dia e um mês pra gente, ok? Só um dia de um só mês, prometo.
Voltando ao um ano, estive escrevendo sobre a gente.. Daí eu ri bastante e fiquei intrigada em relação a como as coisas aconteceram tão rápida e estranhamente. Logo comigo, tão chatinha e falsamente cheia de métodos e aspas. Você também é bastante certinho. Talvez isso tenha nos aproximado tanto. Talvez eu tenha um beijo bom e você uma voz linda e só. Mas talvez a gente saiba estar junto e isso prevaleça.
Enfim, voltando mais uma vez aos meus escritos sobre o um ano, está sendo muito difícil. Nossa história é bem interessante, viu? São coisas inesperadamente peculiares e não quero deixar nenhum detalhe de fora. Talvez eu lhe entregue quando fizermos três anos juntos. Talvez eu publique em meu blog quando fizermos dois. Talvez eu guarde e só veja daqui uns cinco anos, quando você já tiver me deixado pra ficar com qualquer estereótipo de Maria-palheta-bêbada que te conquiste pelo inglês, rock'n roll ou pelo tamanho dos peitos e bunda (coisa que, comigo, deve continuar em falta).
Daí né, comecei esse recadinho pequeno pra dizer que, enquanto escrevo sobre nosso tempo juntos também vou ver algumas fotos. Sim, eu sei que nossas fotos não são as melhores, nem mesmo as suas apenas, mas eu te amo. E tenho certeza disso quando vejo você nessas fotos e, mesmo quando está com esse seu cabelo estranho, sinto aquele arrepio por dentro. Acho que é coisa de quem está apaixonado, sabe?
Bem, resumidamente é isso, queria te dizer que estou apaixonada por você, meu amor. Mesmo depois de tanto tempo junto. Aliás, separado. Que triste.
Deve ser por isso que tenho sentido tanto e escrito pouco.

Sobre reality e lingerie

Nunca fui aquela completa viciada em Big Brother Brasil.
Assisto quanto tenho tempo, quando tô de férias, quando chego da faculdade.
Assisto porque minha mãe adora e faz tabelinha com nomes e características de cada participante e isso me faz sorrir e me deixa curiosa por saber o que vai acontecer e, claro, informada por ter uma sabe-tudo do assunto em casa.
Assisto porque acho, sim, que tudo ali como em qualquer outra história, seja novela, filme, livro, caso que a amiga de sua prima viveu, pode fazer algo por nós. Seja trazer uma lição, seja entreter, divertir, emocionar, seja se sentir representado na tela.
Por fim, assisto principalmente a última semana, que é quando (não sei se é a palavra certa) me apaixono por cada detalhe: dos participantes às edições, passando até por Bial.
Esse último BBB foi, de longe, o mais surpreendente. Primeiro porque foi o último e, com toda a certeza ( e minha memória de elefante ao contrário), é o único do qual ainda me lembro dos participantes e, segundo, porque teve um inicio estranho, um meio turbulento, desconexo e chato e um final Maria.

Os discursos do Bial sempre fizeram algum efeito em mim. Um jornalista que deixou essa profissão de muitos anos pra poder apresentar um reality show ou a) não tem nenhum talento (vide apresentador d’A fazenda) ou b) tem toda a destreza necessária pra apresentar algo que é tão... real e inusitado.
Mas, voltando aos discursos, por ser jornalista, poeta e (a meu ver) um cara incrível, ele só pode falar muito bem e ter coisas bonitas a nos dizer. Acontece que, realmente, nesse décimo primeiro programa, ele ousou um pouco demais e, aparentemente, quis passar algo mais teatral, musical, quiçá intelectual. O que, creio eu, não cabe neste contexto.
Contudo, assim como citado anteriormente, em relação a todo o programa ter sido de começo estranho, meio turbulento, desconexo e chato e o final, hiperbolicamente, apocalíptico, o discurso do ganhador foi emocionante.
Maria, seu jeito todo especial de ser e seu novo verbo fizeram, com certeza, a graça desse BBB.
Quem sabe isso (somado à última eleição) não é mais uma prova de que as mulheres estão, enfim, conseguindo o que queriam quando (na TPM comunitária) queimaram aqueles sutiãs todos, maldizendo, sem saber, que eu seria pobre de lingerie?*



*Oi?



Leia: Meu lado Maria, de Clarissa Corrêa.

Sobre sonhar e não acordar

Acordou do sonho ruim cheio de letras e vírgulas, com vontade de anotar aqueles detalhes no bloco do criado-mudo. Eram tantos detalhes e tão confusos que serviriam para alguma coisa, com certeza. Nem que fosse pura lembrança.
Após anotar mais de uma página com trechos do que lembrava, guardou o bloco e ajeitou o travesseiro para voltar a dormir. Eram apenas 3 e meia da madrugada. Fechou os olhos e a primeira imagem que lhe veio à cabeça foi uma caneta e um papel. Não poderia ser um sinal para que anotasse o que estava pensando, pois acabara de fazê-lo.
Supôs, então, que era nada mais que um sinal confuso de que estava realmente precisando dormir. Virou pro lado da parede e avistou uma máquina de escrever. Uma máquina de escrever? Coçou os olhos e a parede continuava branca. Intacta, nada de adesivos ou desenhos de máquina de escrever.
Optou, desta vez, em vez de coçar os olhos, por ir até a cozinha tomar um copo d’água. Ao acender a luz do corredor viu um computador no espelho à direita. Chegou mais perto, encostou o indicador e não havia nada além de sua imagem refletida ali.
Um pouco nervoso, suspirou. Ao chegar à copa, todos os livros de seu filho estavam abertos em cima da mesa. Todos. Ao se aproximar pensou em coçar os olhos, virar para a parede, encostar o indicador, mas se lembrou de que tudo isso apenas o deixara mais confuso e preferiu se virar pra geladeira. Na porta havia um bilhete. Sorriu e voltou pra cama, sem beber uma gota de água. 

Sobre luta, século, menina e ouro. rs

Numa bela noite de férias, sou convidada a comparecer ao barzinho apimentado da cidade para reencontrar os amigos de Colégio. Que beleza!
Chegando no local que ela escolheu, não sei o que lá do reino de Deus, per.. parei. Chegando lá, encontro realmente os amigos do Colégio, mais alguns conhecidos, mais uns pseudobrothers e o resto do mundo. Sério. O mundo inteiro tava lá. Até que vi a TV ligada e umas lutas passando, quando compreendo que ali é o único lugar público da cidade que passará a luta superesperada entre dois astros dos socos e murros brasileiros: um desconhecido e o marido da Feiticeira. Pensei: será que ela ainda existe?
Assim como em shows nos quais não conheço absolutamente nada e ninguém quer verdadeiramente me fazer companhia com outro assunto, cumpri meu papel de superinteressada na TV, mesclando com alguns papos descontraídos e risadas de piadinhas alheias. Inclusive sobre minha camiseta.
A questão é que: cheguei lá por volta das 23h, quando havia alguns lugares vazios, mas quando me dei conta eram, sei lá, 3h da manhã e não havia espaço para uma mosca. Fiquei confusa e perguntei cadê a porcaria da tal luta que vocês estão esperando? Ah lá começou. Alguns gritando o nome do Anderson Silva (aí eu já sabia quem era) outros gritando Victor Belfort (Feiticeiro!) e eu revezando a minha torcida em voz baixa pra não desagradar nenhuma parte, né? Por fim. Aliás, de repente ilustra melhor. É, aí DE REPENTE Anderson Silva me dá um belo de um pontapé na cara bonita do Belfort em apenas 3 minutos de luta (eu disse: TRÊS MINUTOS) e, não sei porque cargas d’água esta é considerada "A" luta do século.
Peraí, gente! E minha luta pra enfrentar faculdade/trabalho/pobreza/namoro a distância ninguém comenta né?
Não, se não querem comentar da minha luta, tudo bem, eu entendo. Mas oh muita gente merecia muito mais esse título aí hein? Talvez até a Menina de ouro.
É isso.

Sobre serial killer, lacunas e sobriedade.

Ainda não sei como começar isso, mas bom..
Primeiramente devo dizer que sim, eu estava sóbria hoje, como sempre estou na verdade. E acrescento que, definitivamente, não preciso mesmo de bebidas alcoólicas para dizer o que penso e sinto. Só de um ambiente apropriado e a sua insistência.
Segundo, e talvez não muito coerente, imagino que o fato de eu não saber como colocar tudo no papel seja pelo motivo de essa ter sido uma das raras vezes na qual verbalizei assim, cara a cara, tudo que deveria. De repente até mais.
Peço desculpas se, de alguma maneira, te deixei confuso. Acontece que, como lhe disse, pra mim é realmente difícil. E, caso não se lembre de metade do que eu disse, seja por causa da bebida ou do som alto, e queira saber, enfim, é só dizer. Dessa vez posso lhe escrever pra que fique registrado e carimbado, então, todas essas coisas que mexem comigo e os motivos pelos quais tenho receio de dar esse próximo passo.
Passou pela minha cabeça a vingança concretizada de todas as donas de corações que você partiu, como num serial killer do amor. Infelizmente, nem mesmo com esse detalhe que, quem sabe poderia ser considerado positivo, me felicito.
Talvez tenha mesmo uma enorme lacuna entre nós. Resta saber como, quando e se realmente isso um dia vai mudar. 

Sobre como perder amigos, conhecidos e contatos

Ou ainda "Não quer ser incomodado no MSN? Siga os passos a seguir e tenha uma vida online cheia de liberdade!"

Fulano: Oi
Laura: Oi, tudo bem?
Fulano: Tudo e com você?
Laura: Ah, tô até bem sim. Na verdade tô bastante feliz porque consegui apresentar muito bem um trabalho de faculdade.
Porque assim, eu sempre tive dificuldade de falar lá na frente de todo mundo da sala, sabe? Talvez por estar me acostumando, não sei... Talvez esteja só perdendo mesmo a timidez, mas a questão é que realmente não tenho me saído tão mal nas apresentações.
Sem contar que o último trabalho ficou ótimo, apesar de ter perdido todo o domingo fazendo ele...
Sério, fiquei de 13h até as 22h fazendo a droga daquele trabalho, mas nossa... muito compensou porque ficou lindíssimo. Daqueles poucos e bons que você olha e sente orgulho por ter feito, sabe? Então...
Mas e você, como está a faculdade?
Fulano: Ah, que bacana..
Ué, tenho tido alguns problemas com uns professores, sabe
Laura: Nossa, sério? Eu também, viu? Essa semana mesmo, um professor meu veio me encher o saco, só não falei umas poucas e boas na cara dele porque ainda tenho óleo de peroba na reserva e porque eu fico bem com os nervos a flor da pele e me dá até vontade de chorar. Hoje até gritei com um colega, acredita?
Fulano: Mesmo? Porque?
Laura: Ah, aqueles meninos ficam inventando moda e não fazem as coisas direito....
E tipo, sei lá.. to com dor de cabeça, dor nas coisas, meus olhos não estão muito ok, preciso ir ao oculista. Inclusive minha ginecologista me disse pra cuidar melhor da alimentação e tal.. tenho que marcar um clinico geral e fazer alguns muitos exames pra ver se tenho alguma coisa.. porque nossa nos últimos meses eu mais fiquei doente que respirei, dei infecção, gripei umas mil vezes e tal.
Ainda bem que ao menos meu problema de cólica não existe mais. Conhece a pílula de uso continuado? Nossa, é ótima, fala pra sua namorada tomar, não dá nem sombra de cólica, viu?
Mas me conta e você o que tem feito? Tá estudando? E o namoro, como vai?
Espirrou alguma vez esses dias? Me conta da sua mãe também, tempos que não a vejo..
Fulano: ...

Depois eu fico me perguntando porque ninguém vem conversar comigo no MSN.
Ps.: este diálogo não é completamente verídico. Mas também não é ficção.

Sobre medos e marcos

Desde que me entendo por gente, sei que tenho (muito) medo de cachorro.
E eu tenho certeza que medo de cachorro e coisas do gênero (não me peça para enumerar) são hereditárias. Considerando que minha mãe tem e minha irmã também tinha medo de cachorro.
Minha irmã se recuperou desse trauma, não sei como, mas sei que não tem medo nenhum. Já minha mãe, coitadinha, nunca vai deixar de ter. Desconfio que minha irmã ficou corajosa a partir do dia em que minha mãe, num ato corajosamente maternal, tirou minha irmã do colo e a colocou em sua frente quando um cachorro enorme passou pelas duas. É muito amor, né?
Voltando a falar de mim, já tive medo até de cachorro enquanto estava nascendo, veja bem.. acho que é porque eles eram bem feiosos.
Mas de uns anos pra cá, uns dois, talvez.. todo esse pavor tem diminuído um pouco, não sei porque exatamente. Talvez porque, quando menor me protegiam demais e, assim, eu não chegava mesmo perto de nenhum canino.
Sei que tenho me acostumado com pequenos poodles de amiguinhos e pequenos outros latidores que não faço a menor ideia da marca.
Sem contar que ano passado mantive um relacionamento, no qual a pessoa meio que tinha um...pit Bull e eu meio que fui obrigada (sem forçação de barra, vale ressaltar) a conviver com aquele.. .bebê em forma de monstrinho. Era um Pitt Bull, mas juro que era um pouco fofo e me cheirava loucamente, olhando com aquela cara de ‘minha filha, fica de boa aqui que ele É MEU, falô?’.. Bom, passei por esse estágio tranquilamente, considerando que foram extremamente raros os momentos de leve desespero.
Mas eis que em agosto, apesar de todo o desgosto, ocorreu uma passagem que marcará para sempre minha vida, de maneira positiva. O cachorro da minha friend meio que veio, numa distância de sei lá.. alguns metros.. correndo de maneira muito veloz, em minha direção e ainda colocou aquelas patas peludas no meu colo.
Enfim, sobrevivi e não tive nenhum daqueles sustos mega engraçados que normalmente teria; foi natural, parece que eu sabia e não me importava.. foi um momento muito especial e eu precisava deixar registrado, mesmo que não influencie em absolutamente nada na vida de outra pessoa. Na minha foi uma das coisas mais marcantes do ano. Quiçá, da década.

Obrigada pela atenção.

Sobre perdas e ganhos

De repente me vejo roendo as unhas com a maior naturalidade do mundo e pensando, sem muita preocupação, em como tenho parado de escrever e como venho perdendo a concentração.
Talvez esteja apenas a caminho de encontrar a reposta de quando foi que me perdi de mim?. E, talvez, essa resposta seja: quando ganhei você.