Acordei como de costume, com o primeiro despertador, 6:40.
Esse só serve pra me dizer que é dia de semana e daqui a pouco tenho que me
levantar. Nessa hora levanto como zumbi, vou ao banheiro, volto pro quarto, bebo
um ou dois goles de água, confiro o celular e deito novamente, me cobrindo com
o edredom e um sorriso porque ainda tenho mais uns minutinhos.
Daí toca nove minutos depois, clico em tocar de novo, pra
tocar às 6:58 e eu clicar em tocar de novo. Às 7:07 é quando, inconscientemente,
clico em ignorar e ele não irá mais tocar. Aí ou espero o despertador da minha
mãe berrar no quarto dela ou (uma vez na vida) me levanto.
Quando o despertador da minha mãe berra ou eu escuto e
aguardo ela desligar ou eu vou lá depois de algum tempo e desligo porque ela
não acordou com o próprio despertador. Nesse último caso, eu levanto e vou me
arrumar ou deito novamente só mais um pouquinho.
Quando ela acorda e desliga o berrante, espero ela chegar
até o meu quarto e abrir um pedaço da janela pra ou virar pro lado e pensar em ficar
lá só mais um tiquinho ou me levanto.
Acontece que hoje eu fiquei lá só mais um tiquinho, não me
levantei e não ouvi ela fazendo seu café nem ouvi o vibrar do celular com o
terceiro despertador chamado namorado e, ainda por cima sonhei. E sonhei com a
música da novela e sonhei que tinha barba demais e estava cortando com a
tesoura pra depois depilar com cera, mas eu cortei um pedaço do cabelo e estava
atrasada. Não ia conseguir ajeitar então saí com o cabelo cortado e meia barba
feita e, que agoniia, acordei.
Acordei e minha mãe dizendo que já tinha me chamado e já era
7:26 e levantei no mesmo pulo que fui ao guarda-roupa, coloquei calça,
camiseta, uma, duas blusas de frio, arrumei a garrafa na mochila e saí correndo
sem lavar rosto, escovar dentes, olhar no espelho. Tudo em menos de seis
minutos.
Cheguei ao ponto de ônibus com o coração disparado, mas
tranquila porque estava lá no horário de costume, mesmo com todos os percalços.
Mas o rapaz que sempre pega ônibus ali não estava lá. E o
ônibus demorava. E eu queria ir ao banheiro. E eu queria um chiclete. E troquei
mensagens de bons dias e guardei o celular na mochila quando, em quinze
segundos, o ônibus apontou lá na frente.
Esperei ele chegar até mim com pose de quem venceu a
batalha, mas enquanto ele se aproximava eu, sem óculos, ia reparando que
estava...um pouco cheio. Antes da roleta não dava mais pra ficar, eu pensei. O
motorista abriu a porta, olhei pra cara de todo mundo, ri alto dizendo um
discreto “me cabe aí?”, ninguém sorriu ou respondeu. Entrei assim mesmo. Entrei
e fiquei no mesmo lugar que coloquei os pés, na beirada do degrau, a porta do ônibus
ali, me encostando quando abria. Seis pessoas dividindo a parte da frente do
ônibus com o motorista. Com o motorista e aquela tatuagem de borboleta na mão
dele.
Borboleta... O que me esperaria das próximas horas desse
dia, meu Deus?
4 comentários:
o dia promete!!! Ainda mais porque vc saiu de casa sem o café de mamãe... Esse sim poderia salvar seu dia... Mas força na peruca ou melhor na barba...
Que canseira, hein??? rs
Falou que sou surda, mas tudo bem. Sou mesmo...rs
Tatuagem na mão = ex-presidiário.
CUIDADO
Postar um comentário