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A crise dos 7 também pode ser ótima

 7 horas depois

Você se levanta depois de alguns minutos revirando lentamente na cama enquanto ele claramente também está se revirando lentamente na cama. Os sons emitidos e ouvidos são exatamente os mesmos e os pensamentos também devem ser. Parece absurdo essa cena: os dois juntos ainda dividindo a mesma cama depois de uma decisão tomada, mas não tinha outro lugar pra qualquer um ir que não esse mesmo.

Os vizinhos estão reunidos e soltando risadas, mas essa trilha sonora não tem nada a ver com o buraco que se forma na sua cabeça e essa certeza. Será que a implicância ferrenha com aqueles amigos tem a ver com o fato de serem eles os principais apoiadores do início e, portanto, por esses sete anos todos? É sempre mais fácil colocar a responsabilidade na conta dos outros, né? É, foi culpa deles.

Na hora

Você está terminando um milk shake enquanto lê seu Kindle na mesa da sala. Ele pega a cadeira da frente, mas nunca se senta à mesa quando não há uma refeição para compartilhar, então em meio milésimo de segundo de pensamento você entende que chegou a hora. É hora de fazer cara de quem não guardou nenhum sentimento por todos esses últimos anos. O que, claramente, não é verdade.

Quero conversar, ele diz. Você afasta os objetos da mesa e já confessa que está com medo, usando aquele sorriso mais amarelo que esse tipo de situação pede.

Eu quero terminar, eu não estou feliz, você não merece. Assim, entre pausas e olhos marejados. E você não pode negar uma decisão já tomada, porque já passou por isso uma vez, mas hoje você entende que não pode agir daquela forma. Os dois engolem seco no mesmo instante e você diz “E agora?”.

7 anos antes

Você se olha no espelho empolgada depois de uma noite incrível que começou com uma ida ao cinema, apenas com a desculpa de colocarem em prática os planos que rolaram em um chat de rede social que nem existe mais.

A última noite com alguém do seu lado tinha sido a pior noite da sua vida. E agora, depois de ontem você entende que o mundo ainda tinha jeito. Inclusive o seu. É um dia bom.

Por outro lado, a empolgação trouxe esse sentimento de que ainda havia coisas para descobrir, lugares para conhecer. Não era aquela empolgação de agora é pra valer, mas as coisas foram acontecendo e você foi participando porque entendeu que era a chance de construir algo sólido e maduro. 

7 meses antes 

E foi acontecendo. Vocês construíram algo juntos e amadureceram muito. Ter alguém com quem dividir as pequenas ou grandes coisas do dia a dia é bom demais, mesmo com aquela sensação de que podia ter mais um abraço, mais um plano, mais uma vontade. Porque assim fica mais fácil acabar, mas não significa que é melhor. 

7 semanas depois

Vocês ainda têm um relacionamento sólido e maduro. Só é muito diferente daquele do início ou de um ano atrás. É fácil conversar por horas e, pra variar, o que fica são as partes boas. E que bom. Que assim seja por mais sete anos, agora que vocês já sabem o que faz sentido e o que não faz também. O que é ótimo.

Quinze dias depois

Foram quase 5 meses pensando se poderia ser uma boa decisão. 
E foi uma delícia a espera, as conversas com segundas intenções e todo o resto. O primeiro encontro, a primeira piada, o primeiro momento entendendo que a gente podia ter muitos outros momentos como aquele. 
Então abri sorrisos sinceros, o coração e as portas de casa. Dormimos, acordamos, dividimos banhos e refeições à mesa - com um monte de risada e aquela sensação boa de que foi uma boa decisão, sim. 
Vieram os planos a curtíssimo prazo e mensagens já cheias de nostalgia. Quinze dias depois de outros encontros e segundas ou terceiras vezes, tudo parou. Como se nem tivesse começado.
Só ficaram as dúvidas, pra variar. Um monte delas. E agora lá se vão mais 5 meses pensando se realmente foi uma boa decisão. 

Por que vocês insistem em combinar as coisas?

Lá no início do mês eu disse que faria 30 textos nos 30 dias de maio.
Graças à minha especialidade em humanas, eu não me toquei que o mês tinha, na verdade, 31 dias ao todo e, portanto, minha combina já tinha sido meio furada - considerando que a ideia inicial era um post por dia.
Me dei esse crédito, de forma bem dissimulada, como se fosse proposital e, bingo!, ganhei um dia de descanso do meu compromisso comigo mesma e com esse hábito que, se der tudo certo!, já estou voltando a praticar (a escrita livre, leve e solta).
Claro que, nessa construção de raciocínio, eu não pude deixar de pensar em como a gente entrega o trabalho lá no trabalho a tempo - mesmo quando pedem fora do prazo, mas pra fazer coisa pra gente mesmo, que é bom, pensamos duas vezes, porque “pra que se esforçar né?”.
Enfim… lá no meio do mês acabei usando o tal crédito-do-dia-sem-escrever e, lógico, isso prejudicou todo um belo ritmo que estava se formando.
Então, assim, chegar na última semana foi um suspiro e, confesso, não agi corretamente na última quinzena. Deixei uns dias em branco pra depois escrever tais histórias e postar como se nada tivesse saído do roteiro? Deixei. Em raros momentos deixei um post programado? Também. Pobre menina que acha que consegue enganar a si mesmo com seus próprios furos nas próprias promessas...

Lição do mês: só prometa o que consegue cumprir e se esforce, ao máximo, para cumprir o que você, de fato, quer.
E, claro, saiba o que você quer.
No caso, eu ainda não sei, mas isso é papo para outro mês…

Você tem medo de quê?

Eu sempre tive medo de cachorro. Uma frase que volta e meio falo e, de tanto falar, pode voltar a ser verdade e, neeem.
Mas não era isso que eu ia falar… eu ia falar que minha mãe tem muito medo de cachorro e, insegura que nasci, acompanhei o seu medo/praticamente pânico, durante toda a minha infância e adolescência. Entre as coisas absurdas que já fiz foi atravessar a rua mais movimentada da cidade sem nem pensar em olhar para os lados e, como num belo filme de hollywood passar entre vários carros, sem nada grave acontecer, apenas para desviar do pavor que era estar na mesma calçada que 4 cachorros que me seguiram por, pelo menos, cinco quarteirões.
Ir em casa de parentes que tinham cachorros, por exemplo, era só ligando antes para avisar e pedir pra “prender o fulano” o que, graças a Deus, sempre deu certo (ou pelo menos eu não me lembro de já ter precisado passar pelo carão e vergonha de os visitados se revoltarem e não aceitarem tal pedido).
Então ali no início da juventude, aconteceu outro fato que começou a me fazer pensar um pouco mais no que estava acontecendo: um pastor alemão que vinha em minha direção, com seu dono do lado, colocou as duas patas da frente no meu peito, como que num cumprimento, e eu, óbvio, fingi demência, fiz cara de poucos amigos, o dono chamou o doguinho e eu mantive a postura pra, na próxima esquina, ter uma lágrima escorrendo no rosto. Se é que essa não foi uma história criada na minha linda e fértil cabeça de paranoias.
Noutro episódio - esse mais certeiro para colocar um ponto final nessa história, foi quando, uns 3 anos mais tarde, estava eu bem plena na casa de uma amiga quando aquele seu cachorro pequeno e quietinho, que só ficava lá depois da cozinha, veio em minha direção num único tiro, caindo com as tais patas bem no meu colo. Para essa cena, meus diretores contrataram um dublê porque eu assisti tudo de cima, de camarote, afinal não tinha cabimento aquilo acontecer.
Depois disso, só desandou: acabei convivendo umas semanas com um pit bull, viajando com um dálmata ao lado, carinhando vários shih tzus por aí e já até chamei poodle pra vir sentar no meu colo. Tudo graças ao Deus da ausência do medo que não necessariamente é a coragem, penso eu.
E pra terminar, fica o questionamento: será que, no fundo, a gente tem medo mesmo ou só porque acha que tem medo, acaba tendo?

Sobre meu bairro e a sinuca de bico em que me meti vindo morar nesse apartamento

Caí nesse apartamento meio de paraquedas, sabe-se lá porque esse bairro me escolheu pra vir morar aqui. Fofo.
Acontece que estou localizada bem no centro de um condomínio consideravelmente seguro, com sua não tão imponente portaria, nenhum vizinho muito bizarro e uma localização muito privilegiada.
Quase toda semana eu me pego pensando em como é que eu faço pra sair daqui um dia? Porque é como se vivesse num universo paralelo, e já estivesse muito mal acostumada com todas as facilidades que tenho ao trabalhar a cinco quadras da minha casa, por exemplo. (Sem contar que nesses momentos eu me sinto muito ambientalmente correta por não fazer uso de nenhum meio de transporte poluente no meu dia a dia.)
Mas aí, além do trabalho tão perto, o condomínio fica exatamente em frente a um bom supermercado, é vizinho de três farmácias, padaria, restaurantes, pastelarias, academias e, sim, quase tudo no plural mesmo.
E na rua de cima ainda tem feira de rua uma vez por semana, ali um pouco antes o meu querido e estimado pilates. Tudo pertinho. É uma coisa de louco. E um grandessíssimo privilégio de universo exclusivo que eu penso que todos deveriam ter e, claro, me sinto muito grata por isso...Que Deus conserve essa maré de facilidades por toda a vida!
(E que eu tenha vergonha na cara para, de fato, frequentar a feira e a academia, não é mesmo?)

Ps.: vem ser meu vizinho! (Imobiliárias: parcerias inbox)

Sobre me encontrar

Parece que eu perdi um pouco a minha criatividade. Lembro que tinha um olhar mais apurado pra fotografia, um feeling melhor para transformar sentimentos em palavras, um ouvido mais exigente pra música.
Perdi alguma coisa no caminho enquanto procurava por algo a mais. Posso ter perdido tempo, já que a criatividade é minha. Ela deve estar em algum lugar aqui dentro, junto desse algo a mais.
Talvez eu tenha me perdido por esse caminho. É hora de me encontrar.

O medo pode te levar longe... da noção do ridículo #ZéGotinha

Dia de vacina contra a gripe na empresa, eu com minha carinha de 16 anos chego até a sala para tomar a minha pequena dose, quando percebo todas as enfermeiras me olhando preocupadas - claramente o meu medo era visível.
Às vezes eu sinto que tenho mais medo de tomar vacina porque falo muito que tenho esse medo e, na verdade mesmo, esse sentimento nem existe. De qualquer forma, eu prefiro tirar sangue, mas isso não vem ao caso.,,
Cumprimentei as pessoas e me petrifiquei com a tal cara de desespero, enquanto uma enfermeira colocava a agulha no braço e a outra perguntava o meu nome - que eu precisei de 3 segundos pra conseguir responder (três segundos parece pouco, mas houve um tempo em que fazíamos ligações de longas conversas nesses poucos segundos, sim). Mas enfim, aí deu tudo certo, colocaram aquele adesivinho de criança e, enquanto eu me preparava para seguir meu caminho, me perguntaram se eu não queria ajudar a divulgar esse dia tão importante, recebendo a pintura de um Zé Gotinha na minha mão. Atordoada que estava, nem calculei que não fazia muito sentido essa proposta já que a dose nem tinha sido de gotinha, mas aceitei o convite. Enquanto esperava, olhei com cara de dó pro moço que tava com os brindes pra criança e obviamente ganhei uma pipoca e um pirulito, sim.
Na minha vez de pintar a mão, chegaram mais enfermeiros e assistentes e todos decidiram tirar uma foto de galera, comigo ali no meio exibindo minha pintura de Zé Gotinha, como quem exibe um anel de diamantes, mas era só tinta branca, azul e glitter mesmo. Uma celebridade.
Durante esse tempo em que meus colegas pensavam que eu pudesse ter desmaiado pela demora, cruzei com um conhecido e, enquanto passava por ele, fui exibindo a mão pintada e dizendo um sorridente “vamos vacinar?”, mas aí virou um episódio porque ele já foi me parando pra comentar que infelizmente não ia dar porque a esposa,era contra vacinas e, se soubesse que ele tinha vacinado, pediria o divórcio, mas ele gostava muito dela pra decidir enfrentar tudo isso agora. E eu com aquela reação de “mas gente...” (tantas pessoas pra eu exibir aquela pintura..)
Eis que uma hora depois, cruzei com o Diretor da empresa enquanto passava pela diretoria e, como qualquer bom cidadão que está com sua mão ilustrada de Zé Gotinha, mostrei pra ele repetindo o velho e bom “vamos vacinar?‘, no que recebo apenas um minimalista olhar de desprezo, que me levou a atitude mais plausível naquele momento que era ir direto para o banheiro lavar a mão pra tirar a pintura do Zé.

Mentira, porque continuei sendo a garota propaganda que, durante toda a tarde, lavando só a palma da mão, com muito cuidado para não perder a pintura belíssima e, agora sim, depois disso nada mais aconteceu, além do braço doendo no dia seguinte e a vergonha e o medo pintados de volta na minha cara, no lugar do Zé Gotinha.

Diário de um solitário

Acordou naquela terça-feira sem pressa e com fome. Riu de deboche porque sempre criticava quem acordava sem fome e com pressa “como alguém quer correr e não quer comer depois de tanto tempo em jejum?”. Mas nunca levava essas discussões adiante. O limite era sempre sua própria mente.
Abriu o guarda-roupa, lotado de estampas e referências aos filmes que tanto amava e ninguém ao redor conhecia. As frases de efeito faziam as vezes de seus comentários bem rasos naquelas conversas intermináveis de corredor pras quais não queria ser convidado.
Dessa vez chegou no trabalho e estranhou não ter ninguém na sala. Viu que era hora do café e, com certeza, todos estavam juntos, pra variar (e ainda bem, longe dele).
Colocou os fones, deu play no novo CD de sua banda desconhecida favorita e começou a mexer nos seus gráficos malucos que ninguém mais entendia. Quando se deu conta, um dos colegas estava em sua frente apontando pra que ele olhasse pra trás. Enquanto tirava os fones pra fingir uma interação, acabou se assustando com tantas pessoas gritando ao mesmo tempo e percebeu, enfim, que todos do setor estavam de pé, cantando parabéns com uma faixa enorme escrita “feliz aniversário, Luiz”. Deu um sorriso amarelo já calculando como faria para sair dali sem ser percebido: era óbvio que não fazia mesmo parte daquela equipe. Pobre Roberto… não tinha como ninguém saber seu nome, mesmo. Ele nunca se apresentou.

Mais 30, por favor!

Eu, como qualquer outra pessoa com menos de 20 anos (pelo menos da minha época) sempre imaginei que aos 30 teria uma família constituída, um relacionamento estável, casa própria, um trabalho do qual eu me orgulhasse muito e me deixasse empolgadíssima pra acordar e começar logo o dia; além, é claro, de um corpo bem nos trinques e, não. nem pensava em alimentação e exercícios físicos, afinal estamos imaginando a vida “perfeita” de uma pessoa que sempre gostou de comer uma boa besteira e nunca se deu muito bem com os exercícios.

E, a cada ano que eu me aproximava dos 30, eu percebia que esse era exatamente o caminho para o qual eu não estava indo e, claro, que não tem motivo pra todo mundo ser assim, também. Inclusive é muito mais saudável para o planeta que sejamos bem diferentes e complementares, no fim das contas. Mas acontece que esse mesmo  lindo planeta é composto por pessoas que tem, sim, suas ilusões enraizadas desde muito novos, sobre o ideal de vida, o ideal de realização - que, pasmem! normalmente é a realização do sonho da geração anterior.

Hoje, mesmo não tendo chegado naquele emprego (ou renda!) dos sonhos, com aquela família de comercial de margarina, eu tenho muito orgulho, sim, de quem me tornei, da minha capacidade de analisar situações e ter uma inteligência emocional relativamente equilibrada. E, claro, orgulho de ser capaz de me sustentar a mim e uma casa, sozinha: limpando, organizando (ou não), pagando os tais boletos todos. É sim uma vitória, especialmente nesse tal planeta em que muitos de nós estamos tão sem rumo e sem estrutura.

E para o meu eu, lá dos 20 aninhos, eu diria: vá com calma, minha querida, não gaste todo o seu dinheiro com brusinha e lanchos, reserva um pouco pra quando a corda apertar; fica de olho nesse seu corpinho, porque não é porque todo mundo fala que você é magra que vai sempre olhar no espelho e achar que tá tudo maravilhoso, não. Faz o favor de estudar mais e, principalmente, sobre a tal política com a qual acha que não se importa. E fique de olho em sua cabecinha e seus sentimentos, pra acompanhar tudo em tempo real: as coisas passam, sim, mas mudam também e normalmente sem parecer que estão mudando.

Então é isso: chegaram os 30 e com eles também se mantiveram alguns questionamentos por meio dos quais ainda não cheguei a alguma conclusão, confesso. E também por isso fica o recado pra mim mesma: vá de uma vez por todas atrás de uma boa terapia, Laura. Afinal, uma mulher querendo entender suas questões pode até querer guerra com algumas pessoas, mas tá bem a fim de encontrar a paz, também. E de se manter sã e saudável pra aproveitar os muitos 30 anos que estão por vir. Amém!

“Prédio desaba e não há explicação lógica”

Estive pensando que não havia um lugar em que eu me sentisse tão à vontade quanto em sua casa. Talvez porque na minha, eu não morasse sozinha, afinal. E, mesmo tendo você na sua, era como se eu pudesse ser eu mesma sem preocupação alguma, como se a sua companhia fosse só um pouco mais de mim.
A cozinha era toda nossa, a sala com o sofá desajeitado que já era uma segunda cama, e aquele quarto.. com a cama mais confortável do mundo e os melhores travesseiros do universo. Dormir sempre foi uma das muitas melhores coisas que a gente fazia junto. Que eles não ouçam, mas até os roncos eram sincronizados. Era uma casa inteira estruturada por cumplicidade e amor, mesmo. Tão bonito. Mas aí acabou. Nunca mais voltaremos àquele lugar. E já não é porque eu ou você não tenhamos vontade. É só porque ele já não existe mesmo.
Ele se foi e tá lá na manchete do jornal. Escancarando tudo o que acabou junto dele: a tradição das festas juninas em casa, dos bolos que davam errado, a rede social onde tudo começou, os checkins diários. Nada existe mais.
E tudo porque o prédio desabou do nada, que nem a gente.

Ninguém perguntou, ninguém quer saber (mas é muito importante!)

Conta pra mim: o que você comeu de diferente nos últimos tempos?
Em 2018 eu decidi fazer uma página no meu bullet journal com as novidades daquele ano: lugares que conheci, comidas que experimentei, sensações diferentes ou situações inusitadas estariam todos ali, listados, para que ao final do ano eu pudesse ver que aqueles 365 dias foram todos embora, mas ficou alguma coisa de interessante para lembrar.
Eis que, ao reler tudo o que tinha de novidade, percebi um padrão: só tinha coisa relacionada à comida por ali. #taurinaraiz
Parece que naquele ano eu resolvi experimentar ou tentar comer mais uma vez coisas que eu dizia detestar e coisas que eu sabia que não conhecia, mesmo.
No fim das contas, entendi que eu realmente não gosto de mousse de maracujá, nem de tomate, assim, ao natural (o molho a gente adora!), porque eu coloquei ele junto do churrasco e no meio do misto quente, e sinceramente? Ah nem. (se tiver alguma receitinha show, comenta aqui embaixo #influencer)
E eu que sempre me limitei a 5 frutas, no máximo, coloquei pêra e kiwi no meu dia a dia. Eu juro que não lembrava de já ter comido essas duas nos últimos 20 e tantos anos. De repente quando criança comia, né? Mas nenhuma memória delas.
Aí também veio a tão querida banana, cujo cheiro eu não gosto e a textura, menos ainda.. decidi aceitar o desafio da nutricionista e fazer uma panqueca com ela e posso concluir que: não, eu não adoro nem comeria todo dia por prazer (que nem eu faria com um belo pão na chapa com requeijão!), mas posso dizer que, pelo menos, consegui incluir essa fruta tão importante na minha rotina, de alguma forma. E ainda no embalo da nutricionista, eis que eu me tornei a pessoa que come um ovo acompanhado de suco de morango + beterraba + hortelã + chia, após os exercícios, de manhã. Parece sim um líquido pastoso com cara de alguém morreu nessa cozinha, mas não é das piores coisas não. Pode ir na fé.
E eu que sou tão chata com texturas, vide mousse e banana acima, também sempre tive preconceito com pudim, mas não é que o negócio é bom, menina? Ponto pra todo mundo.
Mas assim.. eu sei que ninguém perguntou, ninguém quer saber sobre nada disso, mas fica essa dica valiosa: não deixa o tempo ir passando enquanto você se sacrifica tanto pelo trabalho ou pra comprar coisas materiais que não vão te levar a nada, não. Vá se alimentar bem, respirar direito, viver boas experiências ou só curtir sua série mesmo, enquanto come aquela pipoquinha que você ama tanto.
Porque, no final, o que é vale é o sorrisinho no seu rosto depois de boas e memoráveis experiências (a parte gastronômica fica por minha conta, porque não consigo negar meu lado taurina não, gente).

Vai de opção

Estávamos indo para um casamento em outro estado quando, no meio do caminho, nos deparamos com uma virada que não estava nas orientações dos noivos.
Decidimos seguir um pouco adiante para reconhecer algum outro ponto de referência e, para a graça do santo das estradas confusas, bem ali no canto da pista havia um feirante com suas melancias e morangos à venda.
Viramos o carro e fomos tirar a dúvida. No que ele disse:
- Então, por aqui também chega lá. É só continuar seguindo prali e fazer o retorno na frente, à direita.
- Disseram que a estrada duplicada é melhor. É isso mesmo?
- É, tem essa outra, aí é só fazer o contorno aqui e seguir uns 5 quilômetros pra achar a outra entrada pra BR que vocês precisam
- E qual das duas você indica pra gente?
- Uai… A outra é mais tranquila, quase não tem caminhão e também não tem nenhum buraco. Essa é terrível, ninguém gosta porque gasta umas duas horas a mais pra chegar num bairro bem violento e também tem acidente de hora em hora, mas assim… vai de opção.
- Ahhhh tá. Valeu! - respondemos, rindo de nervoso.



Significado de “vai de opção”: Pra direita você sobrevive, pra esquerda, morre.. mas se de repente é o que você quer, então fique à vontade para escolher.

Amor tem que ser leve

Numa quinta-feira qualquer, Eles estavam cada um com seu próprio celular, vendo suas próprias coisas, quando Ela disse “olha aqui que massa.. a foto, que linda” e Ele deu de ombros com um “esse Cara, de novo??”.

Aí Ela pensou “Ah, quer saber? Que saco essa falta de interesse ou simpatia, mesmo.. ” e ali, do lado Dele mesmo, foi curtindo o feed inteiro, coisas de anos atrás daquele Cara, cujo conteúdo Ela até gostava, mas nada demais não.

Passada a onda de tensão Dela, porque Ele tava muito tranquilo vendo suas coisas, decidiu fazer um post e pediu a ajuda Dele pra editar o vídeo. Assim que Ele pegou o celular, claro que desceu a notificação do Cara mandando um “E aí, quanto tempo”. Ela quis morrer. Afinal a catarse daquele pouco caso e ciúme inútil era só curtir e curtir, não estabelecer um contato direto ali, às duas da manhã no meio da semana. Justificou, muito sem graça, dizendo que o Cara só veio pedir o link de uma campanha que a agência Dela tinha feito. Mas isso não fazia o menor sentido, era óbvio.

Ele então foi direto para o banheiro, se esconder um pouco daquela sensação estranha de estar sendo ludibriado bem na lata, porque brigar não era muito coisa deles. Ela continuou paralisada com aquele celular na mão respondendo pro Cara do lado de lá que “Pois é, tava aqui mostrando pro meu namorado as coisas legais que você faz, por isso as notificações devem ter chovido aí” - estabelecendo logo um limite pra conversa, como sempre fazia (ou nunca, já que esse tipo de situação não acontecia mesmo).

Ele voltou pra cama e quis dormir, sem falar uma palavra. Ela ainda pediu um tempo e contou detalhadamente o que tinha acontecido, sua mentira besta e, claro, pediu desculpas. Ele continuou dando de ombros, nem respondeu e apagou as luzes do quarto.

Hoje, dois anos depois, está Ela ali na sala curtindo e comentando com corações um textão do Cara que Ela tanto admirava, comemorando suas bodas de prata com a Mulher linda que tinha. Enquanto isso, Eles comemoram um ano separados daquele relacionamento que terminou por um motivo bem longe de ter sido o Ela e bem perto de ter sido Ele mesmo. Depois de constatar, ela sorri.. leve.

Existem motivações e motivações..


Tem dias que a gente precisa muito ouvir uma palavra de apoio, saber que tem um ombro amigo e que, mesmo todo mundo tendo momentos complicados, no final tudo dá certo.

Noutros dias você só precisa de um incentivo pra parar e entender que, não, nem sempre dá certo e se hoje foi um dia difícil, amanhã pode ser pior... então por que não desistir já de uma vez, não é mesmo?

Hoje deixo vocês com uma superdica de instagram (des)motivacional, que funciona muito. Ou pode ser que também não adiante nada pra você. Nesse caso, mesmo esquema: desiste e parte pra próxima.. derrota.


(abraço pros migos que estiveram comigo hoje durante um almoço que saiu de uma reclamação e chegou em planos incríveis de produtos que talvez nunca existam, afinal essa é a graça da vida..)

Sobre se bastar (e querer mais)

É a primeira vez que toma um banho com a mente e o coração muito tranquilos em estar, depois de muitos anos, solteira. Solteira sim, sozinha também. Não há ninguém em casa e, mesmo tendo um ou outro namorico em andamento, nenhum a deixa à vontade o suficiente para que saiba que pode ter uma companhia em poucos minutos, por exemplo.

Mas é nesse momento, tomada de tal consciência, que se olha no espelho e é capaz de sorrir largo e sincero. Está feliz por não estar triste. Parece besteira, mas não é. Está empolgada também por relembrar as sensações gostosas que acompanham inícios de romances, os flertes, mesmo os inventados. Está muito bem fazendo companhia pra si mesma. E, novamente juntas, se sentem até mais bonitas.

Há algumas semanas estava relutante em chegar nesse estágio e continuava pensando só no lado bom daquele amor perdido, mesmo depois de também ter passado pela fase de descobrir que havia novas pessoas e costumes na vida de quem teve toda uma história construída ao seu lado.
É curioso pensar que todo mundo é capaz de sobreviver sem a gente, né? E isso também pode doer e dar febre.. ou só distração de todo o resto. Mas passa.

Com todas essas fases concluídas, aparentemente com sucesso, se mantém na espera do que virá. Por agora, só consegue imaginar muitos corações apaixonados, sorrisos bobos e momentos divertidos com qualquer boa companhia. Que eles venham e, dessa vez, tragam poucas (mas boas) desilusões – afinal é preciso tê-las para ver a poesia em querer um novo bonito e perfeito amor.
Até que ele também se acabe.

Na hora foi engraçado

Primeiro encontro oficial, os dois sentados bem tímidos na última mesa da casa de shows.
Enquanto observávamos as pessoas e ouvíamos as primeiras músicas eu comentei que aquele músico, por ser amigo da minha amiga, tinha ajudado na nossa mudança de casa, carregando as caixas de um lado pro outro.
Papo vai, papo vem, silêncio também. Hora do intervalo: "Mas já", eu disse. E ele retrucou "Certeza que seu amigo pediu esse tempo pra ir ajudar numa mudança..".
Rimos muito, apaixonei.

(Na hora foi muito engraçado, juro.)

Chegou a independência. E ela é bem bonita.

Há boatos de que eu só fico inspirada pra escrever nesse blog quando há um término ou algum momento bem machucador de coração e veja bem, meus caros… depois de um longo hiato é hora de relembrar uma história que durou (pasmem!) quase 7 anos.
Foram três casas diferentes, com três companheiras diferentes e cá estamos nós: morando sozinha. Isso mesmo: a independência, ela chegou.

Eu gosto de pensar que esse foi um processo muito natural: chegar numa cidade nova, ir morar com alguém mais próximo levando só as mudas de roupas; mudar de lugar com companhias em momentos mais parecidos com o meu, tendo apenas um quarto com minhas coisas; depois mudar de novo e permanecer um bom tempo num relacionamento mais estável e próximo. Até que, alguns anos depois, por um processo natural mesmo, de um momento de vida que pedia uma mudança, chegou o momento da separação. Muito amigável, graças a Deus.

E, claro, às vezes a gente sente falta de ter outra pessoa pela casa, quando, por exemplo, às 18h30 você percebe que esqueceu a geladeira aberta no café da manhã; ou quando vai tomar água de manhã e vê que o suco que tirou a noite dormiu em cima e não dentro daquela mesma geladeira, afinal não tinha ninguém pra te avisar ou pra guardar pra você por pura simpatia; noutros dias você vai sair pro trabalho e se deparar com a porta que dormiu destrancada, mas assim... tirando a parte de ter que pagar todas as contas sozinha, tá tranquilo.
Sério: não tem ponto negativo não, só positivos mesmo: aquilo de poder andar pelada? Tudo verdade. Quer faxinar a casa de calcinha ouvindo a playlist “Axé Saudade”? Fique à vontade. Tem que sair correndo da cozinha pra fazer um xixi? Não precisa ficar abrindo e fechando porta. É libertador.

Então assim: no fim das contas o sentimento de morar só é muito parecido com aquele momento feliz da solteirice depois de um de relacionamento que ou não era realmente bom ou terminou de uma forma não tão legal: você se sente leve, livre e solta pra fazer e ser o que você quiser no seu espaço, sem precisar dar satisfação ou chamar ninguém pra acompanhar.
E acaba que é aquele esquema né: amar sua própria companhia e saber cuidar de si mesma. É uma oportunidade e tanto. E é bem bonito de se viver!

365 motivos pra não esquecer 2016

2016 teve mais cara de fim do mundo que 2000 e 2012, juntos, diz aí

Essa é uma verdade que, sei lá, muita gente deve concordar. Entretanto e, quem sabe por um sinal do destino, lá no início dele eu bem pensei assim: pô, todo ano eu invento que vou começar uma coisa e nunca passo de março, maio. Agenda, projeto fotográfico, hábito saudável. Quer saber? Vou tentar mais uma vez. Vai que.

Então inspirada naquela onda de potinhos de coisas boas que foi uma forte tendência das redes sociais no último ano, decidi fazer um diário mesmo, no velho e bom Word, listando todos os dias do ano e tentando (com todas as minhas forças) sempre registrar o que aconteceu de bom naquele dia. O que não foi bom ficaria para trás.

Eu consegui. Não vou dizer que atingi o objetivo em 100%, porque há pelo menos dois dias em branco, sobre os quais não consegui nenhuma referência de conversa no whats, post em rede social, e-mail na caixa de entrada ou notícia no google que pudesse de fato ser uma coisa boa. Mas foram só 2 dias de 365 e, mais: de bônus, em alguns desses dias eu não anotei somente um fato, o que me leva, no fim das contas, a ter mais que 365 motivos para ter tido um bom 2016, apesar de todos os pesares.

Antes de evidenciar o lado bom desses 365 dias loucos, me permito destacar que 2016 foi (novamente, para mim) o ano da separação. Não só de casais que eu admirava como casal (me incluo aqui), mas também de pessoas que ou se separaram de seu grupo de amigos fiéis ou tiveram leves ou irremediáveis rupturas e isso refere-se de salve salve chapê a primeiramente fora temer, sim, passando por irmãos se despedindo sem planejamento.

Pois o lado bom de toda essa onda forte foi que: saímos do lugar.
Pelo menos a mim, 2016 tirou certos comodismos. 2016 me fez colocar a mão na massa e terminou ciclos que talvez eu nunca finalizasse caso não houvesse toda essa montanha de dias loucos. 
Além do que, nesse ano, tivemos mais uma movimentação importante no quesito saúde, para a senhora minha mãe e, que coisa boa, uma quietude feliz da senhorita minha irmã no quesito coração.

(Me lembrei esses dias que, inclusive, terminei de pagar o meu notebook esse ano, que já tem um ano de uso e conseguiu me dar certo carinho e conforto depois de todo aquele ciclo do dhemonyo sobre esses eletroeletrônicos em minha vida.)

Enfim, nesse ano eu aprendi a fazer arroz e carne e estrogonofe e a fazer minha própria comida, várias vezes – além de aprender a usar o forno. Nesse ano eu fui sozinha ao teatro, eu fui ao teatro acompanhada e eu fui ao teatro novamente e mais uma vez. E isso, junto a outros eventos, fez desse ano um ano especialmente musical* o que nos leva a pensar que tenha sido, sim, um ano especialmente bom. Nesse ano eu consegui finalizar livros, ver filmes e mergulhar num monte de séries maravilhosas (outras nem tanto, mas é a vida, né?).

Nesse ano, a internet - essa princesa, foi uma especial válvula de escape, um meio importante para novos contatos e um abraço coletivo imenso e cheio de amor no dia dezoito de maio também conhecido como o mais importante de todos os anos, ai que delícia.

Nesse ano eu decidi não ficar adiando convite ou enrolar encontro. Nesse ano eu me aproximei de antigos conhecidos que se tornaram muito, muito especiais pra mim. Nesse ano eu decidi ficar até terminar o show, mesmo que todo mundo quisesse ir embora e também me permiti ir embora enquanto todo mundo ainda se divertia. E nesse ano eu também passei mais tempo (ou algum tempo) com os bons e queridos amigos que já fiz nessa vida. Ai que delícia.

Nesse ano eu tive um combo incrível chamado férias seguidas de início de emprego novo. Eu conheci pontos turísticos importantes, eu passei um tempo lindo com a família, eu fui muito bem acolhida, eu descansei, eu vivi um amorzinho maravs com data limite e depois respirei aliviada por ter a carteira de trabalho atualizada. E então eu comecei aquela fase: outros conhecimentos, outra rotina, outro lugar, outros conflitos, outras alegrias, ai que delícia.

Pois bem, 2016 mesmo tendo sido extremamente triste em vários aspectos e acontecimentos e tragédias e, enfim... foi um ano de sacode.
A poeira ainda está rondando, rente à nossa cabeça, mas tomara Deus 2017 virá e ela vai baixar. E tudo ficará bem. E teremos mais outras 365 boas lembranças (quiça muitas mais).

Amém.


*Uma observação para não esquecer que essa cidade maravilhosa chamada Uberlândia me deu a oportunidade de ver, ao vivo, o que toca no meu Spotify (exceto Riri, #VEMRIRI). Lenine, Liniker, Silva, Anavitoria, 5 a seco, Mahamundi, Emicida, Monique Kessous, Samuel Rosa e Lô Borges, Tiago Iorc, Minimal, Francisco el hombre, Molejão.

Foi assim:

eu tava com fome, me distraí, voltei a ter fome, perguntei pra miga se ela queria pizza, ela respondeu só depois do banho, escolhemos os sabores, cliquei em enviar pedido, 50-65 minutos pra entrega, a chuva lá fora apenas existindo e eu pensando na minha fome e nas entregas que deveriam demorar mais do que o previsto, ia ficando tarde, o interfone tocou quando deu 65 minutos dizendo que tinha uma encomenda lá embaixo, me empolguei e falei tô indo, antes de abrir a porta do apartamento pensei nossa e se for uma encomenda da black friday e não exatamente a comida né imagina, desci no chuvisco e não tinha entregador na portaria, já bradei com o migo pô migo é encomenda mesmo cadê minha pizza ah nem, fiquei enrolando lá embaixo, gastei dez minutos pra assinar o recibo, pedir o boleto do condomínio e assinar outro recibo e reclamar e comentar que os óculos eram novos e que nossa e essa chuva hein, a encomenda eram amaciantes pesados e júlio chegou à conclusão que era melhor eu subir os três andares que parecem seis com aquilo mesmo e quando a pizza chegasse ele ligaria de novo e eu então tá né, subi, reclamei pra migs que era mesmo amaciante e não pizza, choramingamos um pouco, abri o boleto do condomínio, choramingamos mais um pouco porque né, contas, voltei para o quarto, fui olhar novamente a janela para avaliar a chuva e o interfone tocou, rimos muito, desci chorando, expressão de irritação na face, passei o cartão, peguei a pizza, sorri e continuei em pé, o entregador disse eita tem mais alguma coisa moça e eu sim né porque pedir pizza se não for pedir coca junto né e ele não é possível, é o segundo pedido hoje que não me entregam o refrigerante e eu ah não que dó, não podemos estornar o valor não podemos deixar o valor para uma próxima compra e ele não não vou buscar peraí, nesse momento fiquei mais altruísta pensando que ele tinha que ir láááááá buscar isso na chuva e eu já estaria com a barriga um pouco forrada quando precisasse descer mais uma vez todos os sete andares e passar pela chuva, então sorri de novo pro julio e disse espero sua ligação novamente hein não vacile hehehe, subi, parti os pedaços da pizza já fria, me servi já dois de uma vez com o catchup em cima sim desculpe e pensei porque esquenta-la porque não esquenta-la, não esquentei iáiá mordi dois pedaços e julio ligou novamente rindo antes de dizer que o moço tinha chegado de novo né, desci os 10 andares de novo dessa vez rindo bastante porque já um pouco menos nervosa, já com a fome aquietada, encontrei eles rindo também e o entregador dizendo que se acontecesse de novo naquela noite ele... aceitaria porque não há muito  o que fazer ne gente, subi, me servi com aquele liquido preto preto e docinho docinho e cheio cheio de gás, ousei colocar os dois pedaços de pizza por alguns 20 segundos no micro-ondas me sentei para ver um seriadinho e claro que a luz da rua inteira apagou exatamente na hora.

(mentira, deu tudo certo, sentei, vi modern family, dormi feliz – é que isso pareceu meio sem graça depois de tanta novela)

O melhor ano da minha vida

Por que, aparentemente, 2005 foi o melhor ano da minha vida?

Acredito que tenha sido porque, apesar da pouca idade, eu soube aproveitá-lo da melhor maneira possível, todos os dias, semanas, eventos, lugares e pessoas. Eu estava naquele que era considerado (por mim) o melhor colégio, no qual eu tinha os melhores colegas de classe e os melhores amigos também. Foi lá onde eu também construí alguns amores intensos e errados que, à sua época, eram também os melhores – nessa categoria.

Foi por causa de todo esse arsenal que fiz uma das viagens mais gostosas da vida: pro Hopi Hari. Um momento em que, mesmo tendo lamentado por falta de dinheiro, eu ainda soube ser fofa e trazer uma lembrança pra irmã que começara uma coleção promissora. Foi nessa viagem que eu me aventurei, sem querer, em uma montanha russa, só porque queria acompanhar os amigos na fila. Não me lembro como me safei disso, mas aparentemente depois de muito ser sacudida de um lado para outro daquela micro-cabine-larga, ainda estava viva para me rodar nas pequenas e infantis xícaras. E rir no brinquedo aquático e rir nos corredores do hotel e rir do professor vigilante e rir das ligações entre os quartos e rir.

Esse também era um ano em que ainda não haviam tantas regras que prendiam os menores em casa e minha mãe, sempre maravilhosa, me deixava muito à vontade para escolher meus programas de fins de semana. Além dos bares e festas nas casas alheias, eu frequentava as festas da cidade e com certeza já sabia maravilhosamente bem tudo relacionado a Bruno e Marrone, Edson e Hudson e nossos queridos César Menotti e Fabiano – músicas que me fazem feliz até hoje, penso que pela lembrança imediata dessa época. Também tínhamos as idas frequentes para Lagoa Formosa, essa cidade que só tem gente maravilhosa que fez minha felicidade por muitos anos e como felicidade, devo dizer risadas, principalmente.

Era um ano em que eu ainda não conhecia o que era a maioridade e, portanto, acreditava que aquele próximo ano que se seguiria seria o melhor da minha vida por tudo que eu, na minha sabia ignorância, acreditava que iria mudar. Também não estávamos no último ano do colégio, o que distanciava um pouco aquela a preocupação intensa com vestibular.

E, claro, tendo conhecimento sobre toda a minha falta de memória detalhada, o pouco que sei sobre o assunto deve-se a um dos posts de dezembro daquele ano, no meu Fotolog, no qual eu dizia que aquele era sim o “melhor ano da vida”. Não é possível que eu tenha me enganado tanto assim.