Mas não era isso que eu ia falar… eu ia falar que minha mãe tem muito medo de cachorro e, insegura que nasci, acompanhei o seu medo/praticamente pânico, durante toda a minha infância e adolescência. Entre as coisas absurdas que já fiz foi atravessar a rua mais movimentada da cidade sem nem pensar em olhar para os lados e, como num belo filme de hollywood passar entre vários carros, sem nada grave acontecer, apenas para desviar do pavor que era estar na mesma calçada que 4 cachorros que me seguiram por, pelo menos, cinco quarteirões.
Ir em casa de parentes que tinham cachorros, por exemplo, era só ligando antes para avisar e pedir pra “prender o fulano” o que, graças a Deus, sempre deu certo (ou pelo menos eu não me lembro de já ter precisado passar pelo carão e vergonha de os visitados se revoltarem e não aceitarem tal pedido).
Então ali no início da juventude, aconteceu outro fato que começou a me fazer pensar um pouco mais no que estava acontecendo: um pastor alemão que vinha em minha direção, com seu dono do lado, colocou as duas patas da frente no meu peito, como que num cumprimento, e eu, óbvio, fingi demência, fiz cara de poucos amigos, o dono chamou o doguinho e eu mantive a postura pra, na próxima esquina, ter uma lágrima escorrendo no rosto. Se é que essa não foi uma história criada na minha linda e fértil cabeça de paranoias.
Noutro episódio - esse mais certeiro para colocar um ponto final nessa história, foi quando, uns 3 anos mais tarde, estava eu bem plena na casa de uma amiga quando aquele seu cachorro pequeno e quietinho, que só ficava lá depois da cozinha, veio em minha direção num único tiro, caindo com as tais patas bem no meu colo. Para essa cena, meus diretores contrataram um dublê porque eu assisti tudo de cima, de camarote, afinal não tinha cabimento aquilo acontecer.
Depois disso, só desandou: acabei convivendo umas semanas com um pit bull, viajando com um dálmata ao lado, carinhando vários shih tzus por aí e já até chamei poodle pra vir sentar no meu colo. Tudo graças ao Deus da ausência do medo que não necessariamente é a coragem, penso eu.
E pra terminar, fica o questionamento: será que, no fundo, a gente tem medo mesmo ou só porque acha que tem medo, acaba tendo?
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