Você tirou de mim a única certeza que eu tinha.
Foi assim: eu não acreditava no amor, nem desacreditava. Você apareceu e me mostrou por conversa + interesse que, sim, ele estava ali, entre nós.
Me joguei como nunca tive coragem antes e vivi, todos os dias, isso que pra mim era natural. Eu não precisava me esforçar.
Não precisava tentar não pensar em outra pessoa, não sentia necessidade de estar longe, não queria que acabasse logo, não imaginava um futuro sem aquilo, não pensava que houvesse possibilidade de sair do trilho.
Era natural. E era bonito.
Aí um dia desses, você se tornou um exemplo claro de que um relacionamento não se mantém quando apenas um está no barco. Um relacionamento é feito de dois e, quando você se desfez, não nos coubemos mais.
Porque, naquele estágio, tinha certeza que dali a alguns anos eu estaria olhando pra trás, orgulhosa, de tudo o que mantivemos vivo e vivido por décadas e décadas. Eu tinha certeza que receberíamos amigos em casa e que veríamos famílias se formando ao nosso redor e formaríamos a nossa, de uma maneira ou de outra. Eu tinha certeza que o amor existia. Aí você foi lá e me acordou. Do nada.
Agora, enquanto leio a sua mensagem de despedida, percebo que lá atrás, quando eu não acreditava nem desacreditava nesse tal amor eu podia até não estar certa. Mas eu estava pronta para ser contrariada. Hoje não, hoje eu tenho uma certeza, que é bem diferente daquela que eu tinha ao seu lado e que também não tem relação com aquela que cultivava antes de você.
Pensando bem, é uma grande incerteza. Ainda estou por entender.
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Confesso que não sei
Só hoje, depois de duas semanas do seu reaparecimento que consegui, enfim, te dizer algumas palavras..
Acontece que, talvez você não entenda, mas nos últimos tempos eu estive muito desamparada. Tínhamos passado por um período tão bonito, estávamos tão conectados… praticamente todo mundo sabia da nossa história e começava a fazer parte dela também. Então você começou a agir de forma estranha, se afastou um pouco de mim, depois de todo o resto e, de repente, eu me vi sem saber o que responder quando me perguntavam sobre a gente. Claro que eu me sentia péssima, mas usava um sorrisinho de escudo na hora de responder… quem sabe desse jeito não ia parecer que eu sabia mesmo sobre o que estava falando.
Decidi então fingir que, de fato, sabia do seu paradeiro e que, na verdade, estávamos juntos escondendo algo incrível do mundo, quando, mais uma vez e não mais que repente, você aparece.. com uma outra e nova companhia.
E o mundo inteiro assiste a essa exibição em massa de suas histórias e narrativas e eu, me mantenho aqui, de pé e cabeça erguida, como se, de fato, soubesse o que estava se desenhando. Mas eu não fazia ideia de que teria essa surpresa. Na verdade, eu detesto surpresas.
Por isso demorei vários dias pra ir atrás de entender o que estava acontecendo, afinal na minha cabeça se eu não te visse ou ouvisse, automaticamente você compreenderia o ressentimento que me corroía por dentro. Claro que você nem se lembrava mais de mim.
Decidi enfrentar de uma vez por todas esses monstros e ir atrás do que você estava exibindo com tanto gosto pro mundo, mas confesso que até agora não sei se gostei mesmo do seu álbum novo, Tiago Iorc. Não sei.
Acontece que, talvez você não entenda, mas nos últimos tempos eu estive muito desamparada. Tínhamos passado por um período tão bonito, estávamos tão conectados… praticamente todo mundo sabia da nossa história e começava a fazer parte dela também. Então você começou a agir de forma estranha, se afastou um pouco de mim, depois de todo o resto e, de repente, eu me vi sem saber o que responder quando me perguntavam sobre a gente. Claro que eu me sentia péssima, mas usava um sorrisinho de escudo na hora de responder… quem sabe desse jeito não ia parecer que eu sabia mesmo sobre o que estava falando.
Decidi então fingir que, de fato, sabia do seu paradeiro e que, na verdade, estávamos juntos escondendo algo incrível do mundo, quando, mais uma vez e não mais que repente, você aparece.. com uma outra e nova companhia.
E o mundo inteiro assiste a essa exibição em massa de suas histórias e narrativas e eu, me mantenho aqui, de pé e cabeça erguida, como se, de fato, soubesse o que estava se desenhando. Mas eu não fazia ideia de que teria essa surpresa. Na verdade, eu detesto surpresas.
Por isso demorei vários dias pra ir atrás de entender o que estava acontecendo, afinal na minha cabeça se eu não te visse ou ouvisse, automaticamente você compreenderia o ressentimento que me corroía por dentro. Claro que você nem se lembrava mais de mim.
Decidi enfrentar de uma vez por todas esses monstros e ir atrás do que você estava exibindo com tanto gosto pro mundo, mas confesso que até agora não sei se gostei mesmo do seu álbum novo, Tiago Iorc. Não sei.
De quando eu esqueci de me trancar*
Naquele dia meu horário de almoço foi uma loucura: passei
correndo no restaurante, pegando o que era prato feito grande e médio para
trazer correndo pra casa e te pegar já desligando o computador, de banho
tomado, esperando sua carona.
Respirei só o prazo de bradar que se você não comesse aquela
comida...eu só ficaria chateada mesmo, porque deu certo trabalho. E, mesmo com
essa fama de apetite de pedreiro, você só comeu um pouco mesmo.
A carona chegava e eu nem tinha tempo de me despedir direito
para até...nunca mais?
Aí você saiu pela porta depois de um abraço xoxo porque com
mochilas e coisas, eu tranquei as duas fechaduras e chorei como se não houvesse
amanhã.
Eu chorei porque eu talvez nunca mais fosse te ver, porque
naquele momento os melhores dias do ano tinham terminado, porque eu estava apaixonada
por alguém que talvez até se apaixonasse por mim também, mas o timing é aquela
bosta né? E eu solucei. Eu solucei, chorei alto, olhei no espelho e de repente
meu celular toca.
É você ligando e automaticamente eu travo o choro e penso
putaquepariu só falta esse fdp estar ali do outro lado da porta e ter ouvido qualquer
mísero ruído desse dramalhão.
Não me recompus muito rápido, mas deu pra entender que em
menos de um minuto você cansou de esperar abrirem o portão, decidiu me pedir
ajuda e então, claro, alguém abriu pra você.
- Tchau, então.
- Tchau..
O coração esmagado e alerta com essa interrupção que só me
fez pensar que o drama precisava de um fim. Sempre soubemos que teria esse fim,
então o drama tinha que se conscientizar também.
Por que eu tô contando isso? Porque é a quinta vez que eu
pego essa toalha velha e me lembro de você. Você e seus banhos a cada respiro.
Você e sua tosse insone. Você e .... enfim.
Obrigada mais uma vez, porque ter garantido inúmeras boas
lembranças desse tempo que passou. Amei ter você.
*Nós
Se te amei foi porque você me fez rir
Fiz alguns layouts bem leigos para transformar essa frase que era nossa em um belíssimo pôster para o que seria nossa futura parede de quadros, relógios e tijolos, em nossa futura casa.
O tempo verbal era outro, era presente, era para sempre.
Não ter impresso nenhuma das ideias pode ter mudado esse tempo. Já não rio mais.
O tempo verbal era outro, era presente, era para sempre.
Não ter impresso nenhuma das ideias pode ter mudado esse tempo. Já não rio mais.
Do que não fizemos
Sei que aproveitamos até muito bem todo esse tempo juntos,
mas também sei que tínhamos ainda muitos outros planos a serem concretizados
que agora apenas estarão aqui, documentados sem seus checks previstos.
Não chegamos a ir até a casa de nossos parentes distantes, para
imergir de vez na cultura da outra família e entender um pouco mais de onde é
que vem tanta mania e tanto costume. Iríamos ainda passear pela Argentina e
tirar uma foto naquele painel de casal dançando tango, depois de eu muito
insistir. Também iríamos à Europa, nos perder pelas ruas de Paris e não
conseguir pedir a pizza certa na cantina italiana. Você saberia lidar com os
estrangeiros muito bem, porque tem dom de fazer amizades instantâneas, e eu
precisaria te corrigir com algumas palavras que estranhamente teriam ficado em
minha memória depois de anos sem praticar.
Eu ainda ia fazer aquele jantar romântico com o prato
especial que aprendi e a sobremesa que sempre soube e, iríamos também fazer nossas
aulas de culinária, para conseguir garantir que pelo menos o jantar de uma
semana pudesse ficar pronto.
Teríamos também nossa parede de relógios ganhados e
comprados, como uma coleção em conjunto e bem bonita sobre o tempo e o nosso
amor, esse que ainda precisava ser concretizado com todo o estresse de planejar
um casamento e toda a sua falta de vontade em ceder uma ou duas músicas da
cerimônia para que eu escolhesse.
Eu ainda precisava te ajudar a preencher as páginas daquele Moleskine
temático com todos os shows que você já foi e nós também ainda iríamos fazer,
pela ordem das páginas, aqueles desafios e tarefas do livro Veja como se faz.
Precisávamos também voltar àquela cidade em que passamos
nossas primeiras férias juntos, depois de várias outras viagens, apenas pelo
prazer de já se sentir em casa e refazer todos os programas, sabendo agora que
não precisávamos aceitar indicações erradas de vinhos, porque já teríamos
conhecimento suficiente sobre o assunto; também não misturaríamos sabores de sorvetes que não combinem entre si (ou misturaríamos, só pra rir mais uma vez) e nem repetiríamos tanto os restaurantes, porque ainda precisávamos conhecer pelo menos aquele um que ficou para trás.
Pensando bem, todos esses planos ficaram bem melhor assim, desenhados de maneira nostálgica. Até porque se a melhor parte da festa é esperar por ela, a nossa pode muito bem ser "lembrar nitidamente do que nem aconteceu (mas poderia)".conhecimento suficiente sobre o assunto; também não misturaríamos sabores de sorvetes que não combinem entre si (ou misturaríamos, só pra rir mais uma vez) e nem repetiríamos tanto os restaurantes, porque ainda precisávamos conhecer pelo menos aquele um que ficou para trás.
Coração Selvagem
Deve ter uns 3 anos que não nos vemos pessoalmente, mas
tenho acompanhado cada passo seu pelas redes sociais, porque é o que me resta.
Ontem resolvi entender se você já tinha se casado, como soube que iria, há
alguns meses. Adorava ver como vocês dois funcionavam e legendavam cada clique,
mas confesso sempre quis estar no lugar dela.
Não se casou. Parece que voltou à cidade anterior,
inclusive. Quis tanto perguntar qualquer coisa que desse a entender que estava
interessada nesse assunto e em todo o resto, mas não consegui formular uma
frase realmente boa. Até porque... qualquer coisa dita, deixaria tudo muito
claro. Por fim, só mandei uma música. Uma das quarenta e nove milhões que trocávamos,
lá na época da internet discada, sobre estar junto, enfim. Ao que li “Opa...
vamos, sim”.
Morri. Eita Coração Selvagem.
Ok, assumo.
Sempre que me refiro a sua passagem em minha vida, arrisco
dizer que tenha sido ruim, inútil ou até indiferente. É como se eu nunca
tivesse passado um único bom momento ao seu lado e, veja só, cá estou eu alguns
longos anos depois pensando que, sim, tivemos os nossos bons momentos. Porque
assim, se você não tivesse aparecido em minha vida talvez eu não tivesse
algumas coisas. Eu teria menos um caso de amor anotado. Eu não teria aquela
história engraçada com o seu pai me explicando sobre a relação direta entre
reuniões de negócio e cardápios, pra contar por aí. Eu não teria acrescentado
lynyrd skynyrd, magrela fever, meu esquema ou deixe-se acreditar em minhas
playlists. Eu não teria ganhado carinhos e sorvetes depois de tirar os sisos.
Eu não teria tido tanto a companhia de amigos que eu já adorava. E claro, eu
poderia ter ficado sem conhecer aquilo de que mais me lembro sobre você: esse
sorriso aí que leva os olhos junto. Por que será que você teimava em escondê-lo
por trás de uma testa franzida? Pois é, houve quem passou por minha vida durante
bem mais que dois meses e, sinceramente, nem me lembro. De você continuo
lembrando, mesmo que esporadicamente, mesmo que só por autossabotagem.
Vamo?
Já fiz um monte de planos para os quais nunca caminhamos nem
mesmo para chegar perto. Mas dessa vez será diferente. Já comprei minhas
passagens e reservei um hotel perto do Parque. Pretendo te escrever ainda hoje com
alguns argumentos do porquê deve aceitar esse convite meu e, juro, se não
aceitar... nem sei.
O que sei é que já se passaram muitos anos, mas penso que
ainda poderemos ter o nosso momento e, se for para acontecer mesmo, que seja
agora com esse plano relativamente bom, feito em poucos minutos, que
basicamente é ir com você para esse lugar lindo, cheio de história e que ainda
pode garantir milhões de registros maravilhosos - especialmente quando se tem
bons olhos fotográficos assim, que nem a gente.
Quem sabe já não aproveitamos para fazer o ensaio
pré-casamento? Nossos trinta anos já estão aí, afinal. Depois vou embora e talvez
nunca mais nos vejamos, de novo.
Mas e aí.. vamo?
Apartamento 27
Ainda não sei se o que tenho com a distância é uma grande
proximidade ou apenas uma sina amorosa. Você, por exemplo, é mais um grande
novo possível amor construído tal qual aqueles anteriores que já ocuparam
minhas vídeo-chamadas no Skype, meus depoimentos no Orkut, minhas lembranças de
um Carnaval noutra cidade ou mesmo meu currículo de namorados "de
verdade", com direito a mudança de status e fotos de família.
Acontece que, no seu caso, há uma belíssima ocupação em massa
em todas as redes sociais, fazendo da internet esse país ainda mais
maravilhoso. Primeiro, descobri seu blogspot (mantido até hoje - ponto para mais
uma de suas características excêntricas), alguns anos depois encontrei o
Twitter e toda a sua capacidade de transformar 140 caracteres em poesia. Como
boa rainha do flerte online, fui capaz de adicionar o perfil tão pessoal no
Facebook - pedindo permissão, licença e benção, entre justificativas pouco
poéticas. Agora, mesmo sem me recordar de como isso aconteceu, sei que já alimenta
meu feed do Instagram com poesias visuais maravilhosamente legendadas e meu
Snap com trechos atrativos de seu dia a dia, com direito até mesmo a nudes
conceituais de objetos inanimados. Um verdadeiro redator visual.
Um bilhete, na verdade.
Tudo bem, uma hora a gente precisa conhecer a verdade e, mais, espalhá-la. Quem faz assim, tem mais créditos, penso eu. Você, por exemplo, creio que tinha todos os créditos do mundo.
Eu poderia até fazer uma associação sem gracinha e dizer que, se você era do tamanho que era, só o era pra que tudo, toda a sua parte racional e apaixonada, coubesse dentro de você. Como uma forma mais rápida de ter sempre à mão, à cabeça e ao coração o que nos ensinar. Mesmo que inconscientemente.
Então confesso, agora, que toda essa sua paixão eu queria ter.
Essa sua paixão por uma fé que, por vezes, penso, era só sua. Porque não era exagerada, não era tão tímida, era uma coisa bonita de se ver e estar. Essa paixão por gente. Por ajudar gente, por ter gente por perto, por cultivar as relações com gente e regar que nem se faz com plantas. E também essa paixão pela arte que agora fica tão clara e, felizmente, registrada em fotos, vídeos e áudios pra todo mundo que quiser ver. E esse todo mundo, não surpreendentemente, é todo mundo mesmo.
Confesso, ainda, que diferente de muitos, eu talvez não tenha lhe falado toda ou qualquer coisa que você tenha representado, passado, ou sido pra mim. Talvez eu tenha resumido nessa brincadeira com aquele seu crachá de simpático tudo isso. Tudo isso que você era pra mim. E você era grande. Era não. É.
[Originalmente postado em Guaraná com canudinho]
E fim.
Ok. Se esse era o seu objetivo, você conseguiu.
Você venceu porque agora eu não suporto ver você falando com outras pessoas. Não suporto ver você falando sobre outras pessoas.
Se você gostava tanto de mim como pode em algumas horas mudar isso assim, tão rápido? Como pode ter mudado tudo aquilo que você me falou e eu li e reli mais ou menos umas cinquenta e três vezes, por dia. Não pode.
Você não pode se envolver com outra pessoa que não seja eu. Não que eu esteja me envolvendo com você, inteiramente, mas ao menos aqui, por dentro, sinto que sim estou bem envolvida, como há muito tempo nunca estive.
Parece que toda aquela magia que todo mundo procura em qualquer paixão e historia de amor vai parar nas letras que você me manda com palavras bem colocadas, que só fazem sentido porque, definitivamente, tem alguma coisa aí. Ainda não descobri o que é e como pode acontecer, só sei que não quero mais ver você falando com ninguém nem sobre ninguém.
Se o seu objetivo era que eu fosse sua, de alguma forma, exijo que antes disso você seja meu. Só meu e de mais ninguém. E não discute comigo.
Uma carta pra você, assim, sem muito porquê.
Nos conhecemos há não muito tempo, mas já disse várias vezes o quanto sinto por você. Não que eu tenha conseguido, por ora, definir o que é exatamente isso que sinto (em grande quantidade), mas continua forte e estranho. E o mais interessante: vem mudando com o tempo.
Na primeira vez que te vi, aquela quando foi você quem me notou, depois de milhares de anos sem nem saber um da existência do outro e convivendo com o mesmo círculo de amizade e frequentando os mesmos lugares.. Enfim, foi você quem me notou e notou exatamente quando estava, de certa forma, sozinha. Os amigos com os quais estava na maior parte do tempo, partiram pra qualquer outra coisa e eu decidi ficar porque ouvi boatos de que depois do show, teria um luau. Então, você notou minha pequena solidão e, de forma linda e quase automática me incluiu em sua turma.
Lembrei disso assim que te vi, nessa última vez. Porque me pareceu ser a mesma situação, só que agora no vice-versa. Te olhava fixamente e, a meu ver, ninguém mais fazia isso, você continuava ali, perdido por aquele gramado, andando pra lá e pra cá numa busca incessante por, aparentemente, nada.
E minha preocupação se deu ainda mais quando, horas depois, percebi que nem mesmo coisas que você sempre gostou de fazer lhe apeteciam e a cada vez que via o movimento de negação se repetir meu coração doía mais ainda.
Ameacei sentar ao seu lado e dizer que meu ombro ou colo estava ali, meus ouvidos também. Você se afastou de mim nos últimos tempos, talvez por ter tentado se reaproximar tão rapidamente, certa vez. E, assim, eu fui perdendo a segurança de começar uma conversa contigo. Até mesmo sobre coisas informais tenho me policiado.. imagine então, sobre o que estou achando que você esta sentindo. Parece tão invasivo.
Mas, assim, volto a questão do contrário e sei que você já fez isso comigo, de certa forma, de certa fora boa, devo admitir. Então decido dizer isso pra você, talvez seja bom, afinal. Principalmente porque minha intenção é a melhor: te ver feliz, sorrindo, como sempre gostei de ver.
Na primeira vez que te vi, aquela quando foi você quem me notou, depois de milhares de anos sem nem saber um da existência do outro e convivendo com o mesmo círculo de amizade e frequentando os mesmos lugares.. Enfim, foi você quem me notou e notou exatamente quando estava, de certa forma, sozinha. Os amigos com os quais estava na maior parte do tempo, partiram pra qualquer outra coisa e eu decidi ficar porque ouvi boatos de que depois do show, teria um luau. Então, você notou minha pequena solidão e, de forma linda e quase automática me incluiu em sua turma.
Lembrei disso assim que te vi, nessa última vez. Porque me pareceu ser a mesma situação, só que agora no vice-versa. Te olhava fixamente e, a meu ver, ninguém mais fazia isso, você continuava ali, perdido por aquele gramado, andando pra lá e pra cá numa busca incessante por, aparentemente, nada.
E minha preocupação se deu ainda mais quando, horas depois, percebi que nem mesmo coisas que você sempre gostou de fazer lhe apeteciam e a cada vez que via o movimento de negação se repetir meu coração doía mais ainda.
Ameacei sentar ao seu lado e dizer que meu ombro ou colo estava ali, meus ouvidos também. Você se afastou de mim nos últimos tempos, talvez por ter tentado se reaproximar tão rapidamente, certa vez. E, assim, eu fui perdendo a segurança de começar uma conversa contigo. Até mesmo sobre coisas informais tenho me policiado.. imagine então, sobre o que estou achando que você esta sentindo. Parece tão invasivo.
Mas, assim, volto a questão do contrário e sei que você já fez isso comigo, de certa forma, de certa fora boa, devo admitir. Então decido dizer isso pra você, talvez seja bom, afinal. Principalmente porque minha intenção é a melhor: te ver feliz, sorrindo, como sempre gostei de ver.
Deixa pra lá..
Eu e minha mania de ser sincera, né?
Contei que com aquele cd novo da moça que canta baixinho eu me lembro de você, porque todas as letras lembram nossa história, ou porque simplesmente ouvia enquanto te amava.
Agora não posso mais colocar trechos ou vídeos de nenhuma música por aí. Você vai saber que estou pensando em você..
Noutro dia, enquanto conversávamos, eu disse que determinados termos que são xingamentos pra maioria, pra mim é quase elogio.
Agora quando eu disser que você ou o que você fez é ridículo você vai saber que, no fundo, tô te gostando.
Sem contar que.. Bom, deixa pra lá...
Contei que com aquele cd novo da moça que canta baixinho eu me lembro de você, porque todas as letras lembram nossa história, ou porque simplesmente ouvia enquanto te amava.
Agora não posso mais colocar trechos ou vídeos de nenhuma música por aí. Você vai saber que estou pensando em você..
Noutro dia, enquanto conversávamos, eu disse que determinados termos que são xingamentos pra maioria, pra mim é quase elogio.
Agora quando eu disser que você ou o que você fez é ridículo você vai saber que, no fundo, tô te gostando.
Sem contar que.. Bom, deixa pra lá...
Era uma vez
E então você disse que não queria viver um romance comigo. Não desses de cinema. Não era a hora, ou qualquer outra desculpa dessa você usou. Mal sabia que pra mim era só uma lacuna a preencher meu coração sozinho, que esperava aflito terminar de passar os créditos do meu último romance. Eu queria mesmo era dar um repeat nele. Você foi mesmo só um curta que usei pra cobrir a falta de programação. Que bom que ficou tudo bem. No fim, aquele Era uma vez fez sentido.
Carta pra quem já viu isso antes.
Eu sei que você tem muito que ensinar, sei que tem ótimas experiências de vida, já viajou bastante, leu muito, conheceu pessoas, idiomas, formas de trabalho e é sim, um grande exemplo. Pra mim, inclusive. Você é esforçado e demonstra isso dia após dia.
Mas acontece que você também não é deveras perfeito. Você só tem boas ideias nos piores lugares, pra começar. Seu lema de vida é faça o que eu digo não faça o que eu faço, porque você pede organização, paciência, ideias, cabeça aberta, mas é a pessoa mais bagunceira, impaciente, e que limita os outros, que conheço.
Você discursa paz, confiança e companheirismo, mas na verdade faz com que todos a sua volta se sintam pressionados, pisados, fracos e tudo aquilo que, teoricamente, você recrimina.
Queria, sinceramente que você pensasse mais a respeito, assim como muitas vezes nos diz pra fazer.
Um dia, talvez não muito distante, eu posso até lhe enviar isso assim, com remetente exposto. Só espero que não volte pro meu endereço com carimbo de Já vi isso antes.
Do meu lado
Na sua casa, na sua cama, com você do meu lado, vendo um filme bobo qualquer, mas com o cheiro e a pele que eu mais gosto ali, comigo. A sensação boa de não ter outros compromissos e só fazer o que bem quiser. Com você.
Claro que o meu querer não passa muito da área do seu colchão. Podíamos ficar o dia inteiro ali, deitados, se encostando, se beijando, se abraçando, se cheirando e outros verbos mais. E então comer alguma coisa fora dali e voltar, deitar, se cansar de fazer tudo de novo, ligar o ventilador, brigar um pouco com os travesseiros gostosos, se ajeitar e fingir que vai dormir. E fazer tudo de novo, com a tv ligada ou um som baixinho de fundo. Era só isso que eu queria por agora, por hoje, ao menos.
Mas não, enquanto vou querendo, fico aqui, de calça jeans e sutiã apertado, que irritam. E ainda tem esse tênis que esquenta tanto o pé nesse calor, que às vezes vira frio. Fico tentando achar uma posição não muito péssima nessa cadeira que não permite muitos movimentos. Então fico aqui, durante 8 horas, encarando essa tela de computador e pensando que nada nunca vai ser tão bom quando a sensação de paz e delícia de viver e estar ali, na sua casa, na sua cama, com você do meu lado.
Sobre a gente
Tenho escrito pouco sobre a gente. Escrevo pouco porque sinto muito.
Tenho sentido muito sua falta, ultimamente. E sinto porque amo, concluo.
Estive depositando minhas palavras, em relação a você, pra escrever sobre nosso um ano juntos, na verdade. Mas acho que já passou mais, né? Não que isso seja muito importante, mas no nosso próximo encontro lembre-me de abrir a pauta para escolhermos um dia e um mês pra gente, ok? Só um dia de um só mês, prometo.
Tenho sentido muito sua falta, ultimamente. E sinto porque amo, concluo.
Estive depositando minhas palavras, em relação a você, pra escrever sobre nosso um ano juntos, na verdade. Mas acho que já passou mais, né? Não que isso seja muito importante, mas no nosso próximo encontro lembre-me de abrir a pauta para escolhermos um dia e um mês pra gente, ok? Só um dia de um só mês, prometo.
Voltando ao um ano, estive escrevendo sobre a gente.. Daí eu ri bastante e fiquei intrigada em relação a como as coisas aconteceram tão rápida e estranhamente. Logo comigo, tão chatinha e falsamente cheia de métodos e aspas. Você também é bastante certinho. Talvez isso tenha nos aproximado tanto. Talvez eu tenha um beijo bom e você uma voz linda e só. Mas talvez a gente saiba estar junto e isso prevaleça.
Enfim, voltando mais uma vez aos meus escritos sobre o um ano, está sendo muito difícil. Nossa história é bem interessante, viu? São coisas inesperadamente peculiares e não quero deixar nenhum detalhe de fora. Talvez eu lhe entregue quando fizermos três anos juntos. Talvez eu publique em meu blog quando fizermos dois. Talvez eu guarde e só veja daqui uns cinco anos, quando você já tiver me deixado pra ficar com qualquer estereótipo de Maria-palheta-bêbada que te conquiste pelo inglês, rock'n roll ou pelo tamanho dos peitos e bunda (coisa que, comigo, deve continuar em falta).
Daí né, comecei esse recadinho pequeno pra dizer que, enquanto escrevo sobre nosso tempo juntos também vou ver algumas fotos. Sim, eu sei que nossas fotos não são as melhores, nem mesmo as suas apenas, mas eu te amo. E tenho certeza disso quando vejo você nessas fotos e, mesmo quando está com esse seu cabelo estranho, sinto aquele arrepio por dentro. Acho que é coisa de quem está apaixonado, sabe?
Bem, resumidamente é isso, queria te dizer que estou apaixonada por você, meu amor. Mesmo depois de tanto tempo junto. Aliás, separado. Que triste.
Deve ser por isso que tenho sentido tanto e escrito pouco.
Deve ser por isso que tenho sentido tanto e escrito pouco.
Doses diárias, afinal
Isso, você participaria da minha vida, diariamente. Em momentos oportunos e não muito rápidos. Nos quais eu pudesse rir verdadeiramente e encher os olhos de amor. Porque parece que é isso que sinto. Não é aquele amor carnal nem aquele de irmãos. É uma coisa mais diferente ainda que, penso eu, nunca senti antes. Porque eu rio só de ler seu nome e, se penso em qualquer coisa que vi estando ao seu lado, caio na gargalhada e meu coração meio que aperta, sabe? Aperta de ler seu nome também.
Talvez você, meio estranho assim como sempre foi pra mim, pudesse explicar. Até porque conhece muitas histórias e..bom, vou ver se da próxima vez que te ver e não ficar tão sem graça (exagerando no conteúdo humorístico e sarcástico) eu lhe pergunto qual é a sua na minha vida, afinal.
Sobre serial killer, lacunas e sobriedade.
Ainda não sei como começar isso, mas bom..
Primeiramente devo dizer que sim, eu estava sóbria hoje, como sempre estou na verdade. E acrescento que, definitivamente, não preciso mesmo de bebidas alcoólicas para dizer o que penso e sinto. Só de um ambiente apropriado e a sua insistência.
Primeiramente devo dizer que sim, eu estava sóbria hoje, como sempre estou na verdade. E acrescento que, definitivamente, não preciso mesmo de bebidas alcoólicas para dizer o que penso e sinto. Só de um ambiente apropriado e a sua insistência.
Segundo, e talvez não muito coerente, imagino que o fato de eu não saber como colocar tudo no papel seja pelo motivo de essa ter sido uma das raras vezes na qual verbalizei assim, cara a cara, tudo que deveria. De repente até mais.
Peço desculpas se, de alguma maneira, te deixei confuso. Acontece que, como lhe disse, pra mim é realmente difícil. E, caso não se lembre de metade do que eu disse, seja por causa da bebida ou do som alto, e queira saber, enfim, é só dizer. Dessa vez posso lhe escrever pra que fique registrado e carimbado, então, todas essas coisas que mexem comigo e os motivos pelos quais tenho receio de dar esse próximo passo.
Passou pela minha cabeça a vingança concretizada de todas as donas de corações que você partiu, como num serial killer do amor. Infelizmente, nem mesmo com esse detalhe que, quem sabe poderia ser considerado positivo, me felicito.
Talvez tenha mesmo uma enorme lacuna entre nós. Resta saber como, quando e se realmente isso um dia vai mudar.
Metade da laranja?
Você é engraçadinho. Quando presente, principalmente. Quando ausente deixa um gosto bem sem graça em mim, quase inexistente. Sinto falta de conversar com você ou ler sobre suas infinitas teorias e pequenas intenções revolucionárias. Talvez por isso eu cometa aquele erro fatídico de pensar no presente quando estamos longe e, quando perto, querer fazer mil planos pro futuro: porque me sinto insegura sem você. Ou porque parece que você me faz entender o mundo real.
Quando estou contigo e lhe pergunto sobre o futuro, você diz que o importante é o que estamos fazendo e sentido e que você está feliz comigo. Fico feliz também, mas continuo insegura. E se você acordar, olhar pra mim e pensar... melhor?
Quando estou longe de você, invento novelas e dramas em minha cabeça e, às vezes, resolvo escrever. E, mais às vezes ainda, envio pra você, como que te lembrando que sou mulherzinha, tenho TPM e curto discutir relação. Você, também às vezes, responde. E são, quase sempre, respostas que me calam. Não por serem estúpidas, mas por parecerem certas. Aquelas com as quais continuo discordando são as que me tranquilizam: você não é perfeito.
O que nos resta, então, é continuar em comum acordo, mas de maneira silenciosa e normal, tentando moldar o outro e ser moldado, para ao final de tudo isso, quem sabe, sermos uma laranja inteira.
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