De quando eu esqueci de me trancar*

Naquele dia meu horário de almoço foi uma loucura: passei correndo no restaurante, pegando o que era prato feito grande e médio para trazer correndo pra casa e te pegar já desligando o computador, de banho tomado, esperando sua carona.
Respirei só o prazo de bradar que se você não comesse aquela comida...eu só ficaria chateada mesmo, porque deu certo trabalho. E, mesmo com essa fama de apetite de pedreiro, você só comeu um pouco mesmo.
A carona chegava e eu nem tinha tempo de me despedir direito para até...nunca mais?
Aí você saiu pela porta depois de um abraço xoxo porque com mochilas e coisas, eu tranquei as duas fechaduras e chorei como se não houvesse amanhã.
Eu chorei porque eu talvez nunca mais fosse te ver, porque naquele momento os melhores dias do ano tinham terminado, porque eu estava apaixonada por alguém que talvez até se apaixonasse por mim também, mas o timing é aquela bosta né? E eu solucei. Eu solucei, chorei alto, olhei no espelho e de repente meu celular toca.
É você ligando e automaticamente eu travo o choro e penso putaquepariu só falta esse fdp estar ali do outro lado da porta e ter ouvido qualquer mísero ruído desse dramalhão.
Não me recompus muito rápido, mas deu pra entender que em menos de um minuto você cansou de esperar abrirem o portão, decidiu me pedir ajuda e então, claro, alguém abriu pra você.
- Tchau, então.
- Tchau..
O coração esmagado e alerta com essa interrupção que só me fez pensar que o drama precisava de um fim. Sempre soubemos que teria esse fim, então o drama tinha que se conscientizar também.
Por que eu tô contando isso? Porque é a quinta vez que eu pego essa toalha velha e me lembro de você. Você e seus banhos a cada respiro. Você e sua tosse insone. Você e .... enfim.

Obrigada mais uma vez, porque ter garantido inúmeras boas lembranças desse tempo que passou. Amei ter você.

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