Nunca pensei que um dia eu desligaria o telefone dessa maneira. Com vontade de desligar e sem querer te ver e falar contigo pelos próximos seis meses como quase sempre tem acontecido.
Nunca pensei que uma relação como a nossa fosse acabar assim: sem qualquer ligação, sem qualquer sintonia, sem qualquer vestígio de futuro promissor.
Era uma amizade linda demais: sempre soubemos o que o outro pensava, sempre pensávamos as mesmas coisas. Foram muitos meses que passamos lado a lado, sem querer ou pensar noutra companhia. Até programa de índio gostávamos de fazer juntos pelo simples fato de que estando juntos, qualquer coisa nos bastava. Estávamos juntos e isso era tudo de que precisávamos.
Muitas ligações por dia, muitos assuntos por ligação e muitos assuntos pro dia seguinte.
Até que um dia você decidiu se mudar. Quis me mudar contigo, tentei. Vi que daria mais certo pra mim que pra você e, pensando no seu melhor, voltei pra minha vida antiga, dessa vez sem você. E abri seu caminho pra que se desfrutasse de sua vida nova, sozinho.
Você se mudou, descobriu novos amigos melhores que eu, novos amores, vários deles que provocaram discussões infinitas entre nós dois sobre o certo e o errado na sua maneira de agir.
Sempre procurei te aconselhar, sei que tem os pés no chão, apesar das derrapadas e houve um momento em que percebi não haver mais motivos para tentar fazer você entender, ou ao menos pensar a respeito, de uma maneira melhor, mais certa e menos impulsiva de tomar suas decisões.
Não pensei que esse dia chegaria, mas chegou e hoje afirmo, ainda que com o coração um pouco apertado, os olhos marejados e o pensamento entupido de lembranças: não quero mais saber de amizades assim, que tomam mais do que dão a mim.
[Este post faz parte do projeto de Rafael Gloria, do Blog sintonizados, cujo tema foi Do que eu não quero saber]
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Planos - Postagem Temática
Vamos ter uma casa no campo, como diz na música, cheia de livros e discos, amigos nem sempre, porque queremos tempo pra gente. Eu quero tempo pra gente. Tirar uma semana de folga só pra te namorar o dia inteiro e brigar com você andando descalço por aí, enquanto eu não fico sem calçado nem pra tomar banho.
A primeira coisa que vamos pregar na parede de casa será o azulejo que aquele cara pintou na porta da casa de festas, no dia em que a gente se conheceu. No azulejo branco ele pintou nós dois, nossa lua de mel, cisnes, coqueiros e cerquinhas de verde, vinho e amarelo. Não sei bem a simbologia disso tudo, mas a mensagem decorada dele de amor parecia fazer sentido.
As estantes serão limpinhas e os livros guardados pra sua alergia não dar bom dia. O seu bom dia vai ser a música, por algumas vezes. E o meu.. você pode escolher.
Nossa cama vai ser bem grande que é pra você não ter que ficar de braço dormente pra me caber e eu não morrer de dor nas costas por querer passar a noite do seu lado.
Vamos ter um filho e meio, porque eu não quero nenhum e você quer três e assim fica tudo certo, como você disse.
Eu vou continuar te dando um banho nas cantadas baratas enquanto você continua com suas frases bregas e clichês.
Durante o dia você vai me empurrar água pra beber e, durante a noite, alguma bebida alcoólica, enquanto eu tento aprender alguns pratos modernos pra fazer pra gente, tipo arroz e feijão.
Vamos continuar usando nossas roupas que não combinam entre si nem mesmo pra uma festa brega.
Todo dia, eu vou te perguntar, naquele tom ameaçador: você é um homem ou um saco de batatas? Porque toda ação tem uma reação e a sua é a melhor.
Você vai me ensinar inglês enquanto eu te ensino a ficar três metros distante de mim.
Você vai tocar violão e cantar enquanto eu escrevo meus textos e analiso as redes sociais da sua banda.
Falando em banda, eu vou continuar sendo essa lady que sou e vou ignorar toda e qualquer gatinha projeto de fã que [quiser] tirar uma casquinha do meu guitarrista.
Até porque, no fim das contas, você vai ficar careca e eu vou ficar velha surda e a gente vai continuar se adorando, porque até do meu pé você gosta e eu, um dia, vou beijar sua cicatriz, prometo.
[Este post faz parte do projeto de Rafael Gloria, do Blog sintonizados, cujo tema foi Casamento]
Não mais - Postagem Temática
O frio que me lembrava você [não por ser frio, mas por já ter sido o principal motivo pra nos esquentarmos] agora não passa de pretexto pra me cobrir de casacos, sozinha: estamos tão mornos.
[Este post faz parte do projeto de Rafael Gloria, do Blog sintonizados, cujo tema foi Frio]
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Das que deveriam ser elimidadas - Postagem temática
Ela acabou com o nosso relacionamento, eu sei. Eu não queria isso, você também não, mas ela insistia em aparecer entre nós. Quando decidimos nos casar, depois de quase sete anos de namoro, nos já sabíamos que ela continuaria a fazer parte de nossas vidas. Como deixamos isso passar despercebido?
Lembro que eu saia pela manhã para ir à academia e você já me olhava com aquele olhar querendo gritar tudo que ela significa.
Tá, eu sei que quando você tinha seus coquetéis de negócio eu também estampava ela em meu rosto e saia pisando forte pela casa, como fosse possível destruí-la assim.
Mas acontece que eu ainda tinha esperança.. Nos dávamos tão bem em todos os aspectos: famílias, cama, mesa e banho. Tudo tão quase perfeito. Mas o quase também faz parte do time dela, né?
E agora, passado tanto tempo depois dessa nossa separação tão óbvia, eu continuo aqui, com ela, sempre pensando em você e tudo relacionado: onde está, com quem, porque, etc.
Acho que ela nunca vai me abandonar. Talvez ela acabe com minha vida algum dia. Porque, sinceramente, essa palavra tem um poder maior do que qualquer trono pode oferecer.
Ciúme: integrante do time das “Palavras que deveriam ser eliminadas de relacionamentos”.
[Este post faz parte de um projeto de Rafael Gloria, do Blog sintonizados, cujo tema foi Palavras]
Lembro que eu saia pela manhã para ir à academia e você já me olhava com aquele olhar querendo gritar tudo que ela significa.
Tá, eu sei que quando você tinha seus coquetéis de negócio eu também estampava ela em meu rosto e saia pisando forte pela casa, como fosse possível destruí-la assim.
Mas acontece que eu ainda tinha esperança.. Nos dávamos tão bem em todos os aspectos: famílias, cama, mesa e banho. Tudo tão quase perfeito. Mas o quase também faz parte do time dela, né?
E agora, passado tanto tempo depois dessa nossa separação tão óbvia, eu continuo aqui, com ela, sempre pensando em você e tudo relacionado: onde está, com quem, porque, etc.
Acho que ela nunca vai me abandonar. Talvez ela acabe com minha vida algum dia. Porque, sinceramente, essa palavra tem um poder maior do que qualquer trono pode oferecer.
Ciúme: integrante do time das “Palavras que deveriam ser eliminadas de relacionamentos”.
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Silêncio - Postagem temática
Desde que descobri o Postagem Temática e me encantei por essa proposta (que me lembrou um pouco do nosso Guaraná) estive pensando em como escrever e o que escrever nos próximos temas. O tema em que votei na última enquete não ganhou, o que ganhou foi um tema sobre o qual sempre falei, sobre o qual tenho várias posts a respeito e eu não sentia vontade de falar sobre isso de novo.
Seria como fazer aquilo que não concordo: dizer, dizer outra vez, reafirmar e falar mais aos quatro ventos.
Confesso que procurei pensar no que poderia escrever, pensar em alguma maneira distinta de abordar esse tema, mas, confesso também, não consegui.
Então, para um primeiro post nessa comunidade recém descoberta e cheia de escritores bacanas, deixo apenas a seguinte informação, a título de curiosidade:
Silêncio: me define.
[Este post faz parte de um projeto de Rafael Gloria, do Blog Sintonizados, cujo tema foi Silêncio]
Seria como fazer aquilo que não concordo: dizer, dizer outra vez, reafirmar e falar mais aos quatro ventos.
Confesso que procurei pensar no que poderia escrever, pensar em alguma maneira distinta de abordar esse tema, mas, confesso também, não consegui.
Então, para um primeiro post nessa comunidade recém descoberta e cheia de escritores bacanas, deixo apenas a seguinte informação, a título de curiosidade:
Silêncio: me define.
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