Abriu o guarda-roupa, lotado de estampas e referências aos filmes que tanto amava e ninguém ao redor conhecia. As frases de efeito faziam as vezes de seus comentários bem rasos naquelas conversas intermináveis de corredor pras quais não queria ser convidado.
Dessa vez chegou no trabalho e estranhou não ter ninguém na sala. Viu que era hora do café e, com certeza, todos estavam juntos, pra variar (e ainda bem, longe dele).
Colocou os fones, deu play no novo CD de sua banda desconhecida favorita e começou a mexer nos seus gráficos malucos que ninguém mais entendia. Quando se deu conta, um dos colegas estava em sua frente apontando pra que ele olhasse pra trás. Enquanto tirava os fones pra fingir uma interação, acabou se assustando com tantas pessoas gritando ao mesmo tempo e percebeu, enfim, que todos do setor estavam de pé, cantando parabéns com uma faixa enorme escrita “feliz aniversário, Luiz”. Deu um sorriso amarelo já calculando como faria para sair dali sem ser percebido: era óbvio que não fazia mesmo parte daquela equipe. Pobre Roberto… não tinha como ninguém saber seu nome, mesmo. Ele nunca se apresentou.
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