“Prédio desaba e não há explicação lógica”

Estive pensando que não havia um lugar em que eu me sentisse tão à vontade quanto em sua casa. Talvez porque na minha, eu não morasse sozinha, afinal. E, mesmo tendo você na sua, era como se eu pudesse ser eu mesma sem preocupação alguma, como se a sua companhia fosse só um pouco mais de mim.
A cozinha era toda nossa, a sala com o sofá desajeitado que já era uma segunda cama, e aquele quarto.. com a cama mais confortável do mundo e os melhores travesseiros do universo. Dormir sempre foi uma das muitas melhores coisas que a gente fazia junto. Que eles não ouçam, mas até os roncos eram sincronizados. Era uma casa inteira estruturada por cumplicidade e amor, mesmo. Tão bonito. Mas aí acabou. Nunca mais voltaremos àquele lugar. E já não é porque eu ou você não tenhamos vontade. É só porque ele já não existe mesmo.
Ele se foi e tá lá na manchete do jornal. Escancarando tudo o que acabou junto dele: a tradição das festas juninas em casa, dos bolos que davam errado, a rede social onde tudo começou, os checkins diários. Nada existe mais.
E tudo porque o prédio desabou do nada, que nem a gente.

Nenhum comentário: