Sobre se bastar (e querer mais)

É a primeira vez que toma um banho com a mente e o coração muito tranquilos em estar, depois de muitos anos, solteira. Solteira sim, sozinha também. Não há ninguém em casa e, mesmo tendo um ou outro namorico em andamento, nenhum a deixa à vontade o suficiente para que saiba que pode ter uma companhia em poucos minutos, por exemplo.

Mas é nesse momento, tomada de tal consciência, que se olha no espelho e é capaz de sorrir largo e sincero. Está feliz por não estar triste. Parece besteira, mas não é. Está empolgada também por relembrar as sensações gostosas que acompanham inícios de romances, os flertes, mesmo os inventados. Está muito bem fazendo companhia pra si mesma. E, novamente juntas, se sentem até mais bonitas.

Há algumas semanas estava relutante em chegar nesse estágio e continuava pensando só no lado bom daquele amor perdido, mesmo depois de também ter passado pela fase de descobrir que havia novas pessoas e costumes na vida de quem teve toda uma história construída ao seu lado.
É curioso pensar que todo mundo é capaz de sobreviver sem a gente, né? E isso também pode doer e dar febre.. ou só distração de todo o resto. Mas passa.

Com todas essas fases concluídas, aparentemente com sucesso, se mantém na espera do que virá. Por agora, só consegue imaginar muitos corações apaixonados, sorrisos bobos e momentos divertidos com qualquer boa companhia. Que eles venham e, dessa vez, tragam poucas (mas boas) desilusões – afinal é preciso tê-las para ver a poesia em querer um novo bonito e perfeito amor.
Até que ele também se acabe.

Um comentário:

Marina Reis disse...

É interessante entender
que mesmo sabendo das chateações e dos defeitos,
sempre estamos em busca
de um amor perfeito.