Lembro-me de ter decidido, assim, firmemente: parou, parou não vou me empolgar, me derreter com ele só porque ele é legal e o único rostinho bonito desta sala com mais de cinqüenta pessoas esquisitas e idiotas. Isso foi logo nas semanas iniciais de aula.
Reforcei o pensamento assim que soube que o mesmo havia ficado com algumas pessoas que eu considerava bem esquisitas. É claro que era mais um desses bonitinhos que se achava o pegador e não valia a pena, mesmo. Decidi me tornar sua amiga. E assim se seguiram os próximos meses. Ele era a tradução perfeita do cara legal, inteligente, bom de papo, que tinha uma namorada. Meu colega de sala e só. Simples assim. Mas quem disse que as coisas simples continuam simples pelo resto da vida? Muito pelo contrário. Inclusive quando planejamos e acontece, devemos esperar: não vai ficar desse jeito por muito tempo. Acontece que semanas antes das férias surge o boato de que o tal-que-não-vale-a-pena tem uma quedinha por mim e há ainda a sua confirmação, na cara dura. Pra quê? Todos aqueles pensamentos de um-dia-quem-sabe-fico-com-ele voltaram à tona. E as conversas pelo MSN se tornando mais freqüentes e os trechos de músicas românticas sendo mandados quase que freneticamente e agora a única coisa que vem a minha cabeça é a primeira resposta que ele deu a minha mãe assim que ela disse (como diz pra todos os meus amiguinhos que passam a freqüentar minha casa) 'ela é meu neném’: agora é meu também. Oh Deus, como esse cara me surpreende de maneira irritante! Durante as férias, depois de ele me contar ser o mais novo 'legítimo solteiro' e dizer que queria ao menos me ver do outro lado da rua pra dar tchau e ter a sensação boa de felicidade instantânea, nos vemos praticamente todos os dias e esquecemos as dores, as intempéries e qualquer outra coisa que poderia ser motivo de chateação só pra ficarmos por mais dez minutos, ou uma hora, juntos. Cada dia que abro o orkut tem uma coisa fofa, música, frase, declaração, coisas do tipo que sempre abominei, achei brega. E sabe o que é pior?Eu acho bom. Sinto vontade de responder: que lindo! Te quero pra mim, te amo agora e pra sempre. Ontem, enquanto estávamos num daqueles momentos love de casais nojentos não consegui conter uma gargalhada pensando 'Peraí, como EU estou falando nesse tom de voz infantil e fazendo essa caretinha RIDÍCULA?' Não é possível. Tem algo errado comigo e com você, meu Deus, de onde você tirou um exemplar dessa espécie pra mim? O papo é bom, o beijo é bom, as idéias são boas, é inteligente, tem uma covinha perfeita, e aquele olhar de 'sou gostoso' [que não mente] e diz [sem eu ter que fazer aquela minha pergunta costumeira] que me adora? Eu sei que sempre ficava pedindo um assim de presente, mas acontece que também sempre relutei contra compromissos. Até eu não sei se mereço um desses, que troca um sono bom pra descansar do fim de semana corrido e cheio de atividades (além de precisar acordar super cedo no dia seguinte pra trabalhar) pra vir ficar aqui comigo, na porta da minha casa, sentindo um frio desgraçado por mais de duas horas? E, quando faz menção de pegar o celular no bolso me fazendo pensar 'Não, não se vá... Tenho medo de que você nunca mais volte. Preciso de você comigo', me olha e diz que com aquela carinha que eu fiz [meu Deus, eu fiz que cara? Que medo de mim. Não sei nem me controlar.] é impossível ele ir. Ele ainda me entende, mesmo sem eu precisar explicar. Sabe mais o que me irrita? Quando falamos coisas juntos, frases inteiras, desenterramos a mesma música. Como pode? Duas pessoas terem gostos, idéias, jeito crítico tão parecidos? Chega a ser chato. E dá um medo. Será quando isso vai acabar? Então eu só peço uma coisa [daquele tipo brega que aprendi quase que num intensivão nessas últimas semanas]: se for um sonho não me acorda, por favor!
Um comentário:
tipo, muita inveja dos teus textos
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