O caos. Era assim, exatamente assim que podia se definir tudo aquilo: O caos.
Estava sozinha, completa e simplesmente abandonada. Em minha própria casa. Aliás, em minha antiga casa. Porque aquilo não poderia mais ser o mesmo lugar em que nasci e que vivi durante todos esses anos. Havia se tornado um inferno. Aquelas pessoas haviam tornado-a um inferno.
Eu sentia enjôo, e cada segundo que passava ficava pior. Sentia-me zonza. Queria somente o chão e me sentir segura. Mas ali não era possível.
As luzes não se ascendiam. Eu tentava, inutilmente, colocar velas espalhadas por onde não havia energia elétrica. Inutilmente. Havia fogo, água e o desespero. O desespero que me deixava sem ação, sem reação pra todo aquele caos. Como água e fogo se confundiam tanto e tão bem daquela forma? As velas derretiam sem ao menos eu tentar colocá-las em pé, ou simplesmente se apagavam antes que eu acendesse os fósforos – que sempre caiam na água. Lembro-me também que o fogão estava acesso, havia o medo de uma explosão, além de tudo. O computador totalmente modificado, tudo quebrado e com imagens horrorosas passando. Estranhos falando comigo. Móveis todos tombados. Revistas e livros jogados pelo chão. As janelas abertas e aquela noite escura entrando por todos os lados, me apavorando. E a cena de um por um me deixando, saindo pelo portão – que batiam com força e me explodia os tímpanos, minuto a minuto – não me saia da cabeça. Como podiam ter feito isso comigo? A casa que ofereci, com tanto apreço pra que fizéssemos a nossa festinha. A nossa festinha.
Ouviram mal. Pensaram ser deles a festa. Pensaram ser qualquer casa, qualquer lugar, qualquer um que havia oferecido. Mas não, era eu. E eu tinha sentimentos. Aquilo tudo somado a minha mais nova perda – que, nem mesmo eu compreendia ser tão grande – era o motivo das minhas lágrimas. Das minhas infinitas lágrimas.
Tentei, então, clicando no interruptor do corredor acender as luzes mais importantes e que eu havia me esquecido, no meio daquele caos...
E foi assim que acordei: com o barulhinho de um dedo no interruptor do corredor, acendendo a luz. A luz. Alívio.
2 comentários:
bom, nada tão belo, nem nada tão sujo, muito bom. Muito bom.
Olá Laurinha (olha a intimidade!)
Acabei chegando no seu blog (não me lembro como) e preciso te perguntar uma coisa: Você sonhou isto que escreveu??? De verdade??? Ou é fictício (sou fascinada por sonhos, quase "junguiana")
Parabéns pelo blog, como diz tua mama, ele é MÁ-RA! (rs)
Bjoss
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