Deu velha.

Não tenho certeza, mas acho que era quinta feira, dia de curtir um som bacana com os amigos. E aproveitando a primeira semana de férias decidimos sair.
O som estava agradável e muita gente legal no ambiente, mas com o passar do tempo cada um tomou seu respectivo lugar e eu continuei ali, sentada, sozinha naquela mesa para sete pessoas.
Fiquei por ali, imóvel, alimentando aquela solidão ridícula, em meio aquele monte de gente se divertindo.
Conforme o tempo passava, eu pensei em sair correndo dali para... não sei onde.
Pensei em ir até a tomada onde os cabos dos instrumentos estavam conectados e desplugá-las... não sei para quê.
Pensei em subir na mesa e... descer.
Mas não fiz nada disso.
Mantive a minha faixa de Miss Acomodada e fiquei ali uma, duas, talvez mais horas.
Fui pedir um táxi [brilhante ideia que demorou a aparecer!], mas quando digitei o terceiro número todo mundo decidiu que sair dali era bom.
Fui menos irritada pagar a comanda e, me parando no balcão, ele desenhou o jogo da velha e mostrou pra mim.
No terceiro xizinho eu, infelizmente, resolvi olhar pra ele e notei, em sua íris, os azuis mais lindos que já vi. Isso, é claro, me deixou um pouco conturbada e decidi apagar o jogo considerando que, caso não estivesse perdendo, depois daquela cena, ele com certeza me venceria.
E, como conseqüência, acho que minha memória teima em me imitar e apagar seus traços da minha lembrança. Não que eu me importe muito, já que esquecer meu parceiro de jogo, motivo pelo qual dormi ainda sorrindo aquele dia, será tão impossível quanto vê-lo novamente.

"O amor é o único jogo em que ambos saem vencedores"

6 comentários:

Rosana Tibúrcio disse...

aiiii, que lindo!!!!!!!

Helô disse...

Laurinha, eu espero, de todo o coração, que vc esteja guardando esses textos. São de uma sensibilidade incrível, e podem se transformar num livro. Torço por isso. Bjs

Rosana Tibúrcio disse...

Eu também torço pelo livro.
Ai, que orgulho da minha pititinha grande.

Anônimo disse...

queria acreditar que no amor todos saem vencendo.eu realmente queria.acredito que isso seja mesmo verdade.só preciso exprimentá-la.só!
deu velha...adorei!

Rafael Freitas disse...

Eu nem gosto de jogos mesmo.
Principalmente os que envolvem o amor.
De nenhum deles.

Jorge, FLÁVIA disse...

um suspiro de 'ímpio' e encantamento, só.
(risos)