Silêncio, por favor.

Os últimos dias têm sido um tanto quanto conturbados, talvez apenas diferentes, paradoxais... Não sei na realidade qual palavra pode definir melhor ou explicar tudo.
De repente o silêncio falaria melhor por esses dias sim. Quase como eu estive o tempo todo: em silêncio.
Essa plaquinha de alguém com o indicador em frente à boca fechada com os olhos dizendo ‘não diga nada por aqui’ esteve pendurada em mim durante esses últimos dias e, por algumas horas eu quis compartilhá-la com os demais, às vezes fazendo só o gesto, às vezes dizendo um cala a boca meio agressivo, mas é que o silêncio quase sempre me faz melhor que aquele monte de palavra jogada pro ar.
Ontem foi meu aniversário e eu tirei sim a data do Orkut, decidi selecionar melhor os parabéns que eu iria receber. Não fez muita diferença dentro de mim, mas pelo menos eu não precisei responder aquele mar de parabéns automáticos e sem uma verdade tão boa embutida ali nessas oito letrinhas. Queria ter passado uma segunda-feira comigo e somente, mas isso se torna impossível. A família existe pra ficar com a gente em todos, ou quase todos os momentos. Isso é bom. Mas gosto sim de ficar sozinha. Organizando ou bagunçando minhas coisas. A casa trancada e o som ligado e eu comigo. Ao menos no domingo foi assim. Ao menos depois de um fim de semana cheio de afazeres foi assim. Um fim de semana complicado e divertido. Às seis horas da manhã do domingo eu olhei no espelho do banheiro, com aquela luz forte ligada e parecia que um caminhão tinha levado minha família e eu estava sozinha no mundo. Quando eu lavo o rosto tem menos água nele do que naquela hora. Sem contar no rímel todo borrado e na vestimenta negra que eu via ali no espelho, olhando pra mim, com medo até. E pensar que foram uns dos melhores fins de semana! Estranho. Deve ser o lado ruim das coisas boas gritando pro meu lado. Mas eu não gosto muito de notícias chatas às cinco da manhã bem no meio da festa. E muito menos de ver o que o coração não quer como diz aquela frase brega e velha. Também não gosto [ou digo que] de eletrônica e parece que tinha um motor que me deixou em movimento até quando não tinha mais música no meio daquelas pessoas todas. Estava tão divertido, mas chegou um momento em que dançar e sorrir se tornou mecânico e obrigatório para que eu não sentasse e chorasse até o dia seguinte. Esperei a carona me trazer em casa pra fazer isso. Meu aniversário estava chegando e eu não sei mais o que é felicidade no amor, nos estudos. Mas eu quero tanto ela e eu fico tão confusa com tanta informação e opinião vindo de tanto lado que até o Word que seria palco para um textículo que diria sobre como gosto mais do silêncio do que de palavras se tornou o oposto ao que eu afirmava e... bom, vou me despedindo antes que eu resolva dizer que minhas bobagens se tornaram desnecessárias e sem importância e que falar é uma das coisas que mais gosto no mundo ou então que música eletrônica e funk são os melhores ritmos para ouvir no quarto ou ... pshh, silêncio!

9 comentários:

Anônimo disse...

Fazer silêncio com as palvras nem compensa. Pra quê? Escreva msm, escreva que vc aprendeu a selecionar melhor os seus amigos de orkut. (Eu acabei de desfazer o meu, nem por isso quero vc longe de mim: pollyanadi@globo.com, se precisar). Escreva toda essa verborragia. Escreva, porque falar hoje em dia tá msm dificil. O som anda intenso demais. Vc sabe conversar?
Parabens. São 20 anos? Se for 20, eu lembro dos meus: eu passei sozinha tomando café numa cafeteria daqui. Voltei pra casa e dormi. É sempre assim, os 20 solitários e silênciosos!

Rosana Tibúrcio disse...

Inda bem que sou uma pessoa silenciosa, né filha? hehe

Café e Anfetaminas disse...

Você me assusta com esses textos. Essa transparência, essa necessidade de silêncio gritando ai.
Shiiiiiiiiu! Já falei muito! Silenciei ok? rs
Ah tenho todos os cds da Ana rs. Se gostar muito posso copiar proce!

Vera disse...

Moça!! ;-))

Ontem, quase meia-noite, eu lembrei-me de você? Por que? Cê nem imagina. Risos. Lembra-se do seu post anterior? Eu disse que não sabia o que era "dente de leão", e aí você explicou direitim. No entanto, eu nunca tinha visto a flor. Mas sexta-feira passada eu comprei o filme "Snoopy e Charlie Brown" e assistindo, vi uma cena em que o Charlie está no campo treinando beiseboll e as meninas dizem: "Charlie Brown, você fica tão fofo em cima destes dentes de leão". Aí eu pude ver a tão famosa flor ;-))

Mas agora voltando ao teu post: silêncio é muito bom, eu adoro. O ruim é que você nos priva de tuas belas palavras. E quanto às músicas... meu bem, ouça o que te fizer bem, o que deixar você feliz. É o que vale.

Bejim e carinho.

Hod disse...

No âmago do silêncio o próprio grito não se escuta.. Silência na resilência para se organizar e como num salto, salta na forma primal. Sim o grito primal como no nascer onde o oxigênio queima as via áereas e o renascer acontece...
Depois... "Compartilhe com Alegria a Energia da Vida no Presente.." Esse é o espirito de Aloha...

Hod

Andrea Carolino disse...

Era seu inferno astral!
Hehehehehehehe

(continuo insistindo nessa história)

Parabéns, atrasado (é para poder combinar com esse comentário... tbm atrasado).

=)

José Leite disse...

Há bobagens com categoria, com sentido estetico, com aroma literario até...

Rafael Freitas disse...

Eu sinto uma necessidade de contextos!
Ou seja, de mais palavras...

Luiz Castello disse...

Eu quando tinha 20 anos, fui obrigado a ficar em silencio, por uma junta de governo, cujo propósito ideológico era, imbecilizar toda uma geração.
Quase conseguiram...