Um [ím?]par.

Um dia você me disse que ia mudar de cidade, porque não estava gostando da faculdade nem do trabalho e que queria traçar outros planos e eu, sem reação, desejava internamente que você me desse um tapa na cara e fosse embora, mas que não tivesse me dito aquilo.
E no auge do meu desespero e do meu quadragésimo “mas por quê?” você se desmente e diz que só queria ver minha reação. Aí é que tudo desabou e eu quis te matar. Mentira. Nada de te matar. Nunca te matar. Na verdade, eu só quis que você se mudasse de verdade, mas pra minha casa, pra ficar comigo.
Num outro dia te mandei uma mensagem com aquela letra da musica que diz Meu amor ah se eu pudesse te abraçar agoraaaa..! e fui dormir, porque era comum te mandar qualquer coisa, tudo bem normal. Até que quando eu estava pegando no sono ouvi o portão e era você. Estava tarde e você pediu desculpas a minha mãe, me contou que estava voltando pra casa do passeio com os amigos e que recebeu a mensagem e veio realizar meus desejos. Quer dizer, não tinha como não te amar.
E, apesar dos pesares e depois de tanto tempo, ainda acho que essas coisas lindas e carinhosas compensam os lados ímpares desse nosso dado que quase sempre caia nos pares, talvez numa maneira de dizer que sempre seremos um, independente de qualquer coisa.

2 comentários:

Anônimo disse...

Inevitavelmente, um post [ím]par.

Rosana Tibúrcio disse...

Essas são as melhores lembranças da vida.
E viva os dados.