Claro.. o tempo!

Sempre ouvi falar daquele papo certeiro que se tem dentro do elevador: o tempo.
Nunca dei muita bola, até porque sempre foi com os outros, nunca comigo... então né? Minha versão egoísta vem nesses momentos.
Sem contar o principal: nunca andei muito de elevador. Eram raríssimas as vezes nas quais eu precisava me deslocar por meio de um elevador. Isso, é claro, até nos três primeiros meses deste ano.
Como agora trabalho um pouco longe de minha casa, acaba sendo mais fácil e prático almoçar na casa do meu pai, que, no caso, não é casa e sim um apartamento. Ou seja: são cinco andares e, lógico que, para continuar com minha faixa de sedentária na testa, prefiro subir de elevador do que subir cento e cinqüenta degraus (sim, eu já contei).
Pois bem, apesar de subir por aquele elevador durante cinco dias por semana eu nunca encontrei alguém dentro dele. Exceto nas raras vezes quando, indo embora, com o pai e os irmãos, aparecia alguém que começava um papo ou com o síndico (meu pai!) ou com os pequenos pirralhos. O que, claro, não interferia na minha vida.
Acontece que no último mês de setembro, me aconteceu o seguinte:
Um rapaz de mais ou menos dois metros e meio passou por mim, dois quarteirões antes de chegar ao do prédio do meu pai. Por ele ter essa altura e por parecer que estávamos praticamente andando juntos, já que as passadas eram parecidas (imagino que a) porque ele devia estar cansado e sem força pra andar ‘normal’ b) porque eu estava nervosa, apertava o passo e assim, infelizmente, o acompanhava) resolvi desviar o caminho né?
Para tanto, virei à direita, já que teria de fazê-lo para chegar ao prédio, de qualquer forma. Mas, eis que, lá na frente, no outro quarteirão, o gigante não me vira também e vai indo em direção ao prédio?
Entendi tudo né.. típica sacanagem do destino. Fiz o que o sempre faço quando percebo essas coisas (gente “chegando comigo” em locais apertados tipo elevador), andei mais devagar, pra que ele pudesse entrar no prédio, pegar o elevador, chegar onde queria e só depois eu chegar, chamar o elevador de volta e sermos todos felizes. Assim fiz, andei devagar, toquei o interfone, meu pai abriu o portão, eu entrei no prédio. Mas acontece que, chegando no elevador, dei de cara com o rapagão parado lá no meio tipo.. me esperando sabe. Gentileza incorporou.
Tudo bem, me veio a cabeça cumprimentá-lo e torcer para que morasse, sei lá, no segundo andar, né? Pertinho do térreo, pouco tempo junto. Mas aí a pessoa me aperta o quarto andar, tipo.. só um antes do meu pai. Quer dizer...
Nesse momento a porta do elevador fechou e eu fiquei pensando que estávamos só nós dois ali naquele pequenino espaço, onde nem dá pra abrir os braços e se eu quiser, por exemplo, amarrar o cabelo vou trombar ou bater no espelho, sei lá.. qualquer coisa que aumenta a tensão do momento.
O fato é que, em vez de perguntar se ele jogava basquete (não só pela altura, mas também pela roupa super esporte) ou ainda ter comentado se ele morava lá e dito que eu não, só meu pai, essas coisas... ou ainda, ter ficado completamente calada, a ÚNICA coisa que veio a minha cabeça, foi:
- Nossa, ta calor né?
Depois disso, ele balançou a cabeça e virou pra porta e foram mais quatro andares e três horas (certeza...) de completo silêncio constrangedor e eu querendo me matar por ter feito aquele comentário sobre... o que mesmo? O tempo, claro!

Um comentário:

Rosana Tibúrcio disse...

Poquei de rir!!!!