Eram muitas conversas no MSN trocando piadas infames,
cantadas baratas, ideias infalíveis e um monte de música cheia de carga
emocional. Com essa melodia, eu quero te dizer isso. Vê esse trecho depois do
refrão? É como me sinto hoje. Lembra daquele dia? Se eu pudesse musicar, seria
assim oh. E ia música e voltava música. Bem arcaico, bem uma música a cada meia
hora, processando naquela janela que às vezes chamava atenção e que ia caindo
nos nossos Downloads para serem organizadas em nossas pastas perfeitas em ordem
alfabética. E todas seguidas de um peraí que vou ouvir de novo, nossa essa
parte é boa mesmo, e essa então melhor ainda, gostei demais, não conhecia. Depois disso vinham os depoimentos, os scraps, os
bilhetinhos trocados em sala de aula, as SMSs de madrugada, vários com trechos
das últimas tocadas em nosso MSN musicalmente compartilhado - que fazia questão
de exibir “O que estou ouvindo” pra meio mundo ver que éramos um casal feliz
musicalmente.
Mas foi numa conversa qualquer no meio da aula de marketing
que você confessou que, pelo menos 80% das músicas que eu te mandava, você já
tinha ou já conhecia. Jogou assim, como quem não quer nada que, enquanto de cá,
eu ia aprendendo um monte de outros ritmos, de novos artistas, de formas diferentes
de dizer uma mesma coisa; do lado lá, você praticamente só excluía o arquivo do
download, mesmo depois daquela meia hora processando, porque a verdade é que
seu computador já conhecia o CD completo, de cor. Você se fazia de sonso, pra
agradar e não acabar com a minha graça, eu me sentia uma grandessíssima
conhecedora musical com a porta aberta pra tudo que era novo e, nós dois,
coitados, já vivíamos ali uma ilusão que se seguiria pelos próximos cinco meses
quando, enfim, avistei trechos de uma das poucas músicas que você,
definitivamente, não conhecia antes de mim, sendo enviada pra uma terceira
pessoa. Não tinha por que terminar essa canção.
2 comentários:
Oin! ��
Era um coração
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