Três para Trinta

Há um questionário para feedback de uma assinatura mensal que faço, que exige algumas respostas padrão como região, idade, renda. Exatamente há um ano, havia tido uma festa de aniversário maravilhosa com um monte de gente linda, comida boa, felicidade mesmo. Só que nem tudo são flores e no dia seguinte fui responder o tal questionário, pensando que a seguir viriam apenas pontos para trocar por produtos novos, mas o fato é que me deparei com as opções de idade, logo na segunda pergunta, e percebi que a minha marcação, a partir dali, deveria agora ser a próxima da lista. Um aninho a mais, um diazinho de festa e uma mudança drástica de linha de resposta. Agora eu fazia parte de outro nicho, de outra tribo. Agora eu estava oficialmente com a galera do “trinta aí vou eu”, porque os 25 definitivamente tinham se passado.
Pula para quase um ano depois, quando me tomei por uma consciência definitivamente adulta sobre ter trocado um delivery de hambúrguer com batatas fritas a 25 reais por uma compra de 18 reais no supermercado bem em frente à minha casa. Ali decidi, sem muito titubear, que, além de mais barato, aqueles ingredientes que preparariam um hambúrguer delicioso seriam facilmente aplicáveis noutros pratos, pela próxima semana inteira. Era mais um exemplo claro de que a tal maturidade estava gritando e que, divagações como essa, quando expostas em minhas redes sociais, têm me garantido muito mais curtidas do que aquela selfie que postei acreditando ser a melhor dos últimos tempos.
Aparentemente o mundo, as pessoas e esse tipo de análise estão aí para me mostrar que, além de as coisas estarem de fato caminhando, sempre haverá alguma lição ou beleza em qualquer fase da vida, em qualquer nicho que se esteja inserido em questionários e em qualquer decisão tomada, seja prematura e certa ou muito bem pensada e ruim. Penso que se aqui estivesse, Caetano me abraçaria ao som de Dom de iludir, cantarolando que “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, menina..”, e eu, daqui, apenas continuaria pedindo (como presente?) que, agora que falta pouco para casa dos 30, vocês por favor não me olhem como se a polícia andasse atrás de mim...

Tendo tudo posto, só tenho a utilizar uma terceira pessoa para desejar um:

Feliz aniversário, Laura. Esteja ciente de que, apesar dos tropeços e desalinhos dessa caminhada meio torta, você já passou por vinte e sete anos nessa vida, com (certo) sucesso.
É isso.


Ps.: o título pode ou não fazer referência a um costume de pequena em reclamar "não falo tlinta e tles, falo tlintla e tles"

Um comentário:

Rosana Tibúrcio disse...

muito delícia de ler fifis