Vamos conversar?

Foi num sábado que tivemos a fatídica conversa: continuar ou terminar. Acontece que, pelo que já vi e ouvi por aí, isso é comum entre casais. Assim como também é comum o tal do terminar e voltar várias vezes. Assim como também é comum nunca conversar sobre algum problema na relação. E assim como foi com a gente (dizem que também é comum): uma torta de climão sem definição.

Foi num segundo que eu comecei a pensar em tudo. Me sentava e pensava por que é que eu não estava me sentando ao seu lado; eu me olhava no espelho e pensava por que é que eu não estava me arrumando para sair com você; eu comia e pensava por que é que a vida tem que ser tão injusta; eu deitava e pensava em como dizer aos meus tios que, assim como muitos casais, nós também estávamos pelas tabelas.

Foi num domingo que eu pirei de vez. Me tornei aquela pessoa que nunca tinha sido. Como seria a sensação que esse pessoal tem em ficar mandando mais de 7 mensagens e, mesmo sem resposta, mandar mais 7? Como seria o nó na garganta desse povo escandaloso que chora copiosamente durante um banho em um horário aleatório apenas porque nada mais faz sentido? Como seria a agonia em ficar vigiando os checks das mensagens para saber se saíram, se chegaram, se foram lidas? Pois todas essas questões foram respondidas por mim. E eu, obviamente, não gostei de nenhuma das respostas. Santa ignorância.

Foi num piscar de olhos que encontrei infinitos motivos para aquela situação: outra mulher, um cara, as olheiras, as alturas, as críticas, a falta de interesse, um mau amigo, a falta de presentes, as ligações, os horários marcados, o excesso de mensagens, a ausência em eventos, a presença em eventos, eu, você, o mundo, o resto.

Foi num salto que acordei desse maldito sonho de segunda-feira. Me levantei e decidi que precisávamos, enfim, ter a fatídica conversa.

3 comentários:

Rosana Tibúrcio disse...

Lindo e triste ou seria lindo e leve??

Laura Reis disse...

seria um sonho?

Rosana Tibúrcio disse...

vai que né??? Lindaaaaaaa