Oito de novembro

Típica data memorável cuja descrição, há alguns anos, não caberia no meu diário de uma página por dia.
Fiz braistorm rouca e fui mais ouvida que em dias normais.
Liguei pro namorado depois de uma semana.
Continuei sem compreender gente que se passa por boa moça e acaba roubando.
Perdi o chão ouvindo o grito da minha mãe caindo no quintal, perdi minha carona pro trabalho e perdi minha avó.
Senti medo e insegurança e tive que fingir tranquilidade pra cuidar dos irmãos.
Ao fim da noite troquei fralda e ouvi a boadrasta falando sobre sonhos e fé.
Consegui compreender muita coisa que se passou em meses, lendo apenas uma página de carta.
Quis que meu pai fosse meu filho e, por fim, peguei no sono, depois de chorar um bocado. 

4 comentários:

Helô disse...

Laura, foi uma das descrições mais
contundentes que li sobre um único dia. Você conseguiu me fazer sentir sua tristeza. E me fez chorar. Só os escritores inatos conseguem isso.

Rosana Tibúrcio disse...

Coisa mais comovente esse texto.
Helô tá certinha.
E esse dia foi mesmo atípico, pra não dizer, muito triste e estranho.
Há, ainda, resquício do meu tombo, mas não só dele...

Marina Reis disse...

queria agora que você fosse minha filha.
como eu sempre quis na verdade.

Divagações, pão e circo disse...

Consegui sentir um pouco do que vc estava sentindo ao ler esse texto. Espero que as coisas tenham melhorado a partir de então.. Parabéns!