Ciclo férias-amigos

Ultimamente sair de casa tem sido só pra ir ao trabalho ou pra faculdade. Essa desculpa eu já não posso mais usar, estando de férias, então.. voiu lá.. vamos sair pela cidade a caça de.. o que mesmo?
Enfim, férias é bom porque a gente revê quem gosta, quem deixa saudade, quem já passou pela sua vida e podia nunca ter existido, quem nunca lhe fez diferença e quem faz diferença apenas praqueles que lhe fazem diferença e fecham, de maneira despretensiosa, esse ciclo sem nomenclatura.
Sinto saudade da época em que saia pra (mono)flertar com mais da metade dos XY, concretizar flertes com alguns deles, tirar foto pra colocar no Orkut (juro!), conversar sobre setenta e nove mil assuntos e aguentar amigos bêbados, sorrindo. Sinto saudade. De modo que lembrar me traz risadas interiores gostosas. E só. Não sinto falta, não pretendo voltar a essa... fase?
Atualmente tenho um namorado, que, claro tem sido a razão da minha insistência em continuar caminhando (rs) e da vontade de fazer alguma coisa para, enfim, estar com ele. Que, ainda não decidi se feliz ou infelizmente, está a quilômetros de distância de mim.
O fato é que, para as últimas saídas tenho passado por um processo que consiste em:
Combina - “Sim, vamos sair pra rever todo mundo, que delícia, que beleza! Ansiedade boa!”
Antes - “Nossa, mas tô numa canseira, sabe? De repente ficar em casa seria mais de boa.. Amanhã eu vou acordar... no mesmo horário né? Sem contar que ficar na internet mais 6 horas por dia nem rola né? Vou sair mesmo, então..”
Durante - “Nossa, que legal rever todo mundo... como é bom conversar, mas peraí que gíria nova é essa? Nuna ouvi.. nossa mas ela mudou mesmo hein? Tá mais.. saidinha (pra ser educada). Nossa, que delícia dessa música, amo tanto gente que tem bom gosto musical assim. Opa, vamos conversar agora.. era tão bom antes né? E agora... agora parece que não faz diferença contar as ‘novidades’ que pra mim já são... velhas, comuns, passadas, mas né? Temos que nos atualizar pessoalmente, Facebook não enche barriga de ninguém... Nossa, to num sono, dor de cabeça. Não, obrigada, eu não comecei a beber não, nem vou, ces podiam tipo desistir dessa ideia né? Ah se eu não estivesse namorando, já tinha pegado aquele, aquele e aquel- aham Cláudia! Ce jura né? Mas sei lá, não quero me casar. Talvez eu só queira ir pra casa mesmo. Minha carona arrumou um peguete, tenho que ficar mais meia hora com os chuchus da sobra janta da festa..Tchau gente! Vamos combinar de se ver de novo, é tão bom né? Seu telefone é esse mesmo né? Então beijos”
Ao dormir – “Podia estar dormindo há umas 5 horas né?”
Depois – “Tudo passa, até uv..”
Um ano depois = tudo se repete. E eu continuo (inutilmente?) preferindo todas essas pessoas que já estiveram, passam e talvez não voltem a ficar.

Um comentário:

Débora disse...

Muito bom esse seu texto Florzinha! Até me identifiquei com ele! rs