Foi ali que entendi

Já tínhamos passado por algumas conversas sérias, algumas discussões sobre pontos positivos e negativos e, nessas pontuais discussões, ficou decidido que valeria a pena, sim, tentar mais um pouco. Algumas mensagens a menos e aqueles abraços ao nos encontrar cada vez mais automáticos e menos sinceros. Mas foi naquele dia, com o filme passando na TV da sua casa, que quando precisamos buscar uma informação no seu celular, me toquei que, assim como eu, você também havia tirado o nosso papel de parede. Fiquei me perguntando se teria sido no mesmo dia que eu tirei o meu, se teria sido na nossa primeira conversa séria, se teria sido ali mesmo, durante o filme, se teria sido depois de ter visto que eu já havia tirado o meu, se teria sido ontem quando ficamos mais de 24 horas sem nos ver ou se teria sido na semana passada quando eu estava longe e meus boa-noite automáticos teriam chegado ao limite. Foi ali, com essa ausência de um retrato dos dois, nos aparelhos de ambos, que notei estarmos definitivamente tão tão distantes. Foi ali que entendi que não tinha mais como ser. Foi ali que entendi que já era.

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