Minhas unhas doíam e eu olhava sem entender praquele banheiro cheio de cabelos pretos de chapinha no chão, ainda tinha uns dois ou três fios nos meus dedos. Mas logo reuni aquele monte e coloquei na privada. Antes de dar a descarga enxuguei as lágrimas do rosto. Eu tinha todos os motivos para fazer aquilo, não com ela é claro.
Mas porque ela apareceu na festa que eu estava dando na minha casa, com ele? Eu não mandei convite para ela. Nem pra ele, eu sei, mas bom. Eu sei também que ele é quem merecia ter os cabelos arrancados.
Acontece que minha roupa estava caindo o tempo todo e os outros riam de mim e alguma coisa muito séria me fez perder todo o sentido e quando ela emendou afirmando “estamos juntos sim, e não vamos nos separar tão cedo” e eu realmente senti que havia verdade naquelas palavras, o pecado da ira tomou conta de mim e eu fiquei completamente cega. Não lembro muito bem das coisas, lembro daqueles olhos de vitória dela pro meu lado, aquele ar de desdém que ela mantinha com aquele queixo pontudo dela, e os ferrinhos do aparelho brilhando contra o sol, mas de repente estávamos no banheiro e eu só sentia que minhas unhas grandes estavam cravadas naquele braço dela e logo depois tinham tufos de cabelos pretos tingidos no meio da minha mão. Não me recordo de nenhum som vindo dela, um gemido de dor ou agonia, só sei que na manhã seguinte o jornal da tevê dizia que uma jovem havia morrido numa festinha de faculdade e eu acordei chorando demais e sentindo um aperto no coração e uma dor de cabeça incontrolável.
Acho que é por isso que não dou festas em casa. Sempre rola um pesadelo assim.
Medo.
3 comentários:
Nunca tenha pesadelos comigo, tá?
MedAAAA!
esse pesadelo foi de descarrego!
descarregar algumas coisas é bom!
nunca sonhei ter matado alguem,
deve ser mto massa, um sensação de catarse enorme!
Muahahahaha(risada maligna)
Para lavar a alma as vezes um pesadelo é necessário....
Hod.
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