Anestesia nunca é fácil

Na última cirurgia de Rosaninha, me deixaram acompanhá-la na enfermaria enquanto ela saia da anestesia - processo que a deixa bem atordoada: quer sempre alguém segurando sua mão, colocando a mão na testa pra acalmar... há boatos de que trauma do pós anestesia de quando eu nasci. Ou seja.

Na sala de espera em que eu aguardava, era muito frio, então além da minha roupa (calça e blusa) eu vestia a minha blusa de frio e a blusa de frio daquela senhora que estava em cirurgia. Bem linda.
Então me chamaram para acompanhá-la nesse processo pós cirúrgico/anestésico e, para tal, me deram uma roupa como a de auxiliar das enfermeiras para colocar por cima da minha: touca na cabeça, protetor de pé, aquela calça superlarga e camisa idem. Daí fui eu, com meus óculos e minha preocupação, encontrar Rosaninha.

Ela estava realmente atordoada, não sossegava a mão, colocando na boca que estava muito seca e na cabeça, como se estivesse doendo muito. Eis que me sento ao seu lado, seguro sua mão e segue o diálogo:
- Oi, to com um pouco de medo, você vai segurar minha mão?
- Claro, não vou sair daqui
- Não sai não, tenho medo de passar mal
- Não vou sair.. vim pra ficar com você
- Obrigada... to um pouco agoniada, fica segurando a minha mão
- Pode deixar que não vou soltar
- Coloca a mão na minha testa um pouco?
- Ela tá um pouco gelada... porque eu tava no frio, vou colocar devagar
- Nossa, tô ouvindo tudo que você tá falando, que beleza..
- Bom demais... cê tá se sentindo bem?
- To sim...Quanto tempo levou a cirurgia?
- Uma hora e meia, mais ou menos
- Nossa, foi rápido, pensei que fosse demorar mais.
- Eu também, mas deu tudo certo…
- Fica aqui comigo mesmo viu? To com medo de passar mal.
- Não preocupa não… e se você passar mal, a gente tá no hospital, então vai dar certo - e ri como quem fazia graça
- Ah, menina, vou te socar
- Você tá com dor de cabeça?
- Não, só boca seca e um pouco agoniada…
- Daqui a pouco você vai pro quarto
- Vou rezar por você, tá bom?
- Mas pra mim? Pra quê? Reza pela Dra. Tatiana, que te operou tão direitinho…
- Vou rezar pra ela sim, mas também quero rezar pra você.
- Tudo bem…
- Qual seu nome?
- (Ah, pronto, essa faixa na cabeça dela é porque cortaram alguma coisa errada e tiraram a memória.. Jesus… ela não lembra de mim. Deve ser a anestesia, ela sempre fica estranha…) É Laura
- Laura... Laura é o nome da minha filh... uai Laura, é você?
- (No caso, sim, desde que entrei há uns 20 minutos) Exatamente, senhora.

Rimos muito. Apanhei.
Mentira, depois disso ela decidiu que eu fico muito (bem disfarçada e) linda de enfermeira então eu deveria, sim, fazer o curso de enfermagem ou ser irmã da médica (?) que, graças a Deus, havia chegado me possibilitando um momento de respiro desse trauma pós anestesia que, com certeza, agora já era meu.

6 comentários:

Rosana Tibúrcio disse...

Maravilhosa de novo.
Ai Jesus, foi engraçado, né?
Apesar do aperto hahaa
linda da mai, minha enfermeirinha preferida.

Nelma disse...

Muito engraçado. Melhor parte é que seu nome é igual a da minha filha. Ri muito.

Marina Reis disse...

Imagino a confusão na sua cabecinha rsrs será que perdeu a memória? Num é possível rsrs graças a Deus não.

Milena Tibúrcio disse...

Gente... Merece uma encenação! Amei

Anônimo disse...

Que delícia reler esse texto, Laurinha. Sofremos, mas passou...

Anônimo disse...

Como assim, anônimo? Sou eu, a Rosaninha