Não sei você, mas às vezes tenho vontade de extravasar. Nem
sempre é de raiva. Por vezes também quero externar alguma alegria de maneira
intensa e perceptível.
Mas eu não tenho o costume de dar murro em parede,
travesseiro ou quebrar pratos. Por vezes aperto as mãos ou faço uma força
descomunal usando nada mais nada menos que meu corpo e as expressões faciais,
normalmente direcionada ao espelho.
Tem dias que estando ali, de frente para aquele mesmo
espelho, durante alguma reflexão me lembro de um vacilo cometido contra mim ou
de uma coisa bem linda que aconteceu a meu favor e, sem muito pensar, só quero
dar um jeito de colocar isso pra fora mesmo, deixar essa marca no mundo. Quando
esse tipo de situação me acontece, automaticamente eu jogo água da torneira no
espelho. Não exatamente colocando um punhado na mão e jogando, quase como
lavando o espelho, na verdade é depois de molhar as mãos que as fecho e abro
todos os dedos como se fossem muito mais que dez e arremesso pingos
aleatoriamente naquele vidro refletor.
Depois de feito isso, visualizo meu rosto meio deformado
pelos pingos de água que compõe aquele quadro e essa imagem invariavelmente me
faz sorrir, seja por desespero ou por pensar quão patético isso pode parecer a
outros olhos, além dos meus.
Não sei você, mas só de pensar nessa imagem, já me senti
mais leve.
Um comentário:
Esse exercício parece ser maravilhoso!!!
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